<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088</id><updated>2011-11-27T16:47:36.449-08:00</updated><title type='text'>Observações de Bordo</title><subtitle type='html'>Crônicas que partem de observações feitas a partir do ônibus em que viajo semanalmente para Senador Pompeu. São observações que faço de dentro e de fora e de tudo que cerca as viagens</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>43</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-3701044304544450750</id><published>2011-06-02T15:45:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T15:45:21.366-07:00</updated><title type='text'>Lei de Murphy à Bordo</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Não quero ser indigesto, mas vou repetir a temática com relação às viagens de ônibus semanais. Há dias fiz uma crônica sobre as estatísticas com relação a quem se senta ao meu lado, e as mulheres passaram ao largo. Volto à temática, porque nesta semana a coisa foi demais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus parou na segunda rodoviária, e o ônibus praticamente vazio. Estava absorto ao ouvir as notícias no celular, e sequer prestei atenção a quem embarcava na nave a sacolejar. Talvez se estivesse prestado mais atenção certamente impediria, pelo menos com o olhar, do gordo sentar-se ao meu lado. Mas, como o título desta crônica se expressa bem, impossível isso ter acontecido. Mesmo com os seiscentos olhos, as caras mais feias, o zombetear da cabeça em negativa, o homem sentaria por fim. Pronto, aquele volume de carne mal distribuída espalhou-se na cadeira ao lado. Um tormento. Vi-me forçado a recuar para o canto da poltrona, quase a esfregar-me a cara no vidro da janela e forçosamente a espiar cem por cento a paisagem, já vista de muitos anos, pelo menos a viagem toda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rechonchudo, largo, com bolsa nos pés, nesse caso obrigado a abrir as pernas e tomar parte do meu lado. Os braços estenderam-se nos anteparos da poltrona, logicamente sem espaço para que eu usufruísse pelo menos de um pouco do braço que separa as poltronas. Impossível. Recolhi os meus braços em cruz no peito, derreei a poltrona e tentei dormir. Tentei, mas não consegui, mas ele sim, e como. O do lado ajeitou a poltrona, ou a cama, estendeu-se como se estivesse em casa, inerte no seu jeitão, e rosnou, roncou, bufou, sei lá o quê mais...inconcebível. Não dormir, não cochilei e apenas rezei. Rezei para que a viagem fosse breve, mas, como breve? A mais longa da minha vida e de todos os tempos. O cara dormia à solto, sonhando com os mais belos pratos, cerveja, gordura beirando os cantos dos lábios, coisas desse tipo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sacolejar do carro, as estradas esburacadas, as curvas fechadas, e o homem a dominar todo o território. As pernas abertas, o rosto voltado para o meu lado: pensei: vai me beijar. Faltava pouco, como pouco também faltava ele jogar a perna sobre a minha, se acomodar mais ainda na poltrona e pensar que estava na sua cama mais confortável do mundo. Quem passasse para ir ao banheiro, poderia olhar e imaginar: “Que casal mais lindo.” Um terror! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior de tudo isso é que, durante a viagem, tentei olhar ao redor, à frente e consegui enxergar que todas as poltronas estavam vazias, pelo menos seis delas. E por que esse cara veio justamente sentar-se ao meu lado, dominar o espaço, dormir feito um porco, ronronar como um gato, só para que a Lei de Murphy tenha mais sucesso? Pobre de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-3701044304544450750?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/3701044304544450750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=3701044304544450750' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/3701044304544450750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/3701044304544450750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2011/06/lei-de-murphy-bordo.html' title='Lei de Murphy à Bordo'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-5342527323918425273</id><published>2011-04-16T16:46:00.000-07:00</published><updated>2011-04-16T16:50:50.425-07:00</updated><title type='text'>ALIANÇA PERDIDA</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-vwGIBxUWhZI/TaoqTlM0h1I/AAAAAAAAAPI/JDAVu51J6go/s1600/ALIANA%257E1.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-vwGIBxUWhZI/TaoqTlM0h1I/AAAAAAAAAPI/JDAVu51J6go/s320/ALIANA%257E1.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Eu dormia ou tentava dormir na poltrona do ônibus já muito atrasado. Quando de repente, uma senhora ao lado, na outra fileira, despertou-me com o alarido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha aliança, perdi minha aliança!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas próximas acudiram à senhora com palavras de “como foi”, “para que lado caiu”. O alvoroço despertou-me de vez, mas não me mexi, sequer olhei para os lados. Tinha sido um dia daqueles. A espera do ônibus me fatigou, e mesmo acostumado com tanto atraso, não me sinto tão acomodado ao ponto de não querer criticar a companhia. Era um desrespeito aos usuários, sabendo-se que só havia aquela empresa para onde praticamente toda gente ia. Monopólio, volta aos séculos de exclusividades, em plenos tempos modernos, impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando o desassossego de lado, a voz rouca da mulher arranhava-me os tímpanos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha aliança rolou para o lado do homem aqui – e apontava para meu lado, mas não me mexi, tentava não dar ouvidos, pois sabia que encontrar uma aliança no meio de tantas pernas, de tantos bancos era quase impossível. Ademais, ao olhar de viés para a dona do objeto, vendo a situação dela, imaginei-a dentro da casa dos sessenta, e pelo visto o brilho do ouro foi-se com os anos. Então, como encontrar no escuro a peça preciosa da inconsolável mulher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma senhora tentou ajudar, quase a rolar pelo chão com ajuda do filho. Procura daqui, procura dali, tentam, desistem por algumas razões: o escuro do ambiente e os solavancos do ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela caiu sim pra essas bandas – indicava a mulher, sem sequer se mexer. Talvez com receio de perder o ponto onde viu a aliança sumir, talvez sem querer, pois via gente ao seu socorro, em revezamentos de uns e outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;- Ela já deve estar perto do motorista – disse um senhor nos fundos do veículo. &lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Alguns riram, inclusive a mulher.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Por favor, procurem, não posso perder a aliança.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Alguém poderia imaginar a falta que a aliança poderia causar à mulher, além do transtorno. Os vizinhos do banco atrás de mim comentaram: “Qual vai ser a desculpa em casa ao sentirem a falta da aliança?”. Confesso que ri, ali, baixinho, tanto pelo comentário maldoso, quanto pela situação: perder uma aliança no fim dos tempos, depois de longos anos de casada, era de achar graça. Mas o que não se esperava foi o comentário após a inclusão do ponto de vista de um engraçado no fundo do ônibus:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- O que irá dizer o marido quando chegar em casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da algazarra de sorrisos, a mulher se saiu com uma que ninguém esperava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele não vai reclamar: está sob sete palmos de terra, há mais de quatro anos. Essa era a dele, a minha eu derreti e vendi o ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Vão-se as alianças e os dedos que não reclamem.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-5342527323918425273?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/5342527323918425273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=5342527323918425273' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5342527323918425273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5342527323918425273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2011/04/alianca-perdida.html' title='ALIANÇA PERDIDA'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-vwGIBxUWhZI/TaoqTlM0h1I/AAAAAAAAAPI/JDAVu51J6go/s72-c/ALIANA%257E1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-1934767136900690025</id><published>2011-03-24T07:33:00.000-07:00</published><updated>2011-03-24T07:33:02.676-07:00</updated><title type='text'>JOSÉ... STEPHEN... GAY</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-GdKNpGK3Yzo/TYtVfsmOT6I/AAAAAAAAAO8/cOBw8HLtGxo/s1600/negro_jos%25C3%25A9.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="https://lh4.googleusercontent.com/-GdKNpGK3Yzo/TYtVfsmOT6I/AAAAAAAAAO8/cOBw8HLtGxo/s320/negro_jos%25C3%25A9.JPG" width="177" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Negro. Negro como a graúna. Negro como o buraco negro. A negritude em pessoa. Lembro-me, quando o vi, dos escravos sem os seus senhores. Livres, idiossincráticos, sós e em grupos. O nome, não sei, mas poderia ser um José, mas pelo que notei, gostaria de ser chamado Stephen, com “ph” para ser mais real. O corpo magro, as marcas da indecência, os nós na pele pelo estrago dos dias e das noites, a sujeição pelo que fazia, sentia. Negro ou negra, tanto faz ou tanto fez, mas que mostrava um ser humano aos farrapos, entregue ao desvario do sexo, se é que haveria alguém disposto a amá-lo em todas as formas possíveis e imagináveis. &lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Quando o vi pela segunda vez na calçada do ponto, ou sem ponto mesmo, parecia enxotado pelos seus companheiros de profissão porque estava podre, sem banho pelo menos por uma semana, a mesma camisa amarela de sempre, o mesmo tétrico chinelo preto, a bermuda até os joelhos. Fez uma pose retorcida, escorado num poste, com o rosto para o sol de rachar, somente para acender um cigarro. Naquele momento não era José, nem Stephen, ninguém, ou alguém muito longe da realidade. O cigarro aceso num lampejo, num desequilíbrio de corpo trouxe-me à ideia de que aquele mundo do negro gay estava além. Sozinho, maltrapilho, sob um sol do meio dia, sem sequer notar a penetração insofismável do escaldante astro rei era um desequilíbrio dos mais variantes. Passou-me, então, pela cabeça a sensação espasmódica de que aquele sujeito não duraria tanto na vida. &lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Temia vê-lo pela terceira vez, e certamente estaria mais na sarjeta, entregue à negritude da noite, duas noites numa só. Se pudesse, de longe, ver apenas os dentes na brancura já amarelada pela nicotina seria muito. Certamente, como dois mais dois são óbvios, Stephen talvez nem fosse mais Stephen. As corsas, os cachorros, os homens impiedosos trariam o negro na ponta do chicote como muitos anos atrás. Se pela cor da pele, se pelo que escolheu de sexualidade, se pela tristeza dos dias, se pela vida que lhe fechou as portas, esse piedoso ser jazeria insepulto nas calçadas sem dor e nem piedade. &lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Talvez por tempos, quando eu passasse pelas ruas no meu rumo diário, num futuro qualquer, realmente, já o negro não existiria. O cigarro lhe tragaria a vida em sorvos e alvejantes fumaças a enamorar o ar da noite. Certamente seus colegas de profissão nem sentiriam a sua falta, porque o Negro José, gay por profissão, imundo pelo desvario, sempre com a mesma roupa, de amarelo-ovo, de bermuda encardida, as unhas vermelhas escondendo a sujeira, a cabeleira descuidada, a pobreza escaldante nos gestos, não era ninguém que ameaçasse os seus parcos ganhos noturnos e libidinosos. &lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-1934767136900690025?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/1934767136900690025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=1934767136900690025' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1934767136900690025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1934767136900690025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2011/03/jose-stephen-gay.html' title='JOSÉ... STEPHEN... GAY'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-GdKNpGK3Yzo/TYtVfsmOT6I/AAAAAAAAAO8/cOBw8HLtGxo/s72-c/negro_jos%25C3%25A9.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-6563994745441647795</id><published>2011-03-24T06:41:00.000-07:00</published><updated>2011-03-24T12:53:19.162-07:00</updated><title type='text'>OLÁ, CARLOS</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-IK0mJB1wxHQ/TYuhC6G4vMI/AAAAAAAAAPA/eKCcObVcN8k/s1600/Imagem+843.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="https://lh3.googleusercontent.com/-IK0mJB1wxHQ/TYuhC6G4vMI/AAAAAAAAAPA/eKCcObVcN8k/s320/Imagem+843.jpg" width="312" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;Aqui quem vos fala somos nós, companheiros de trabalho, seus amigos, amigas, filhos, esposa e familiares. Somos todos oriundos de um mundo em que você fez parte, de forma tão passageira, de maneira tão ímpar, tão espetacular que já nos dá saudades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja, estamos sentados num lugar isolados, cada um a pensar a sua maneira, mas todos enfocados na sua vida. É praxe, numa conversa, falarmos do passado, do presente ou do futuro. Então, sobre o passado é fato relembrarmos aquele ano de 2002, em que você se aportou aqui em Senador Pompeu para nunca mais sair. Foi um ano que você, temos certeza, apostou no futuro. Vislumbrou a cidade, talvez tenha achado estranha e quando se deu conta, tornou-se cearense de pele e de sangue. Pele por trazê-la nordestina; sangue por amar essa terra e sua gente. Na estranheza do lugar, aos poucos foi cativando as pessoas com seu sorriso, seus galanteios, seu sotaque carioca. Quando percebemos a sua figura de gerente de fábrica, apenas era uma simbologia para as grandes amizades que conquistou. Quando percebemos mais ainda, vimos um homem com seus defeitos, mas, sobretudo, com sua glória em ser humilde, reverente e solidário com todos nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, Carlos. Se estamos sentados aqui a conversarmos, iremos longe. Mas cada um tem a sua visão, o seu enfoque em lembrar-lhe daquele passado soberbo e inesquecível. Sempre ao passarmos pelas ruas de Senador, pelos bares, pela Pizzaria, pela Praça da Juventude, pela Rua Grande, pela Fábrica, pelas Palmilhas, vislumbrar-lhe-emos como foi especial a sua amizade, a sua vida para todos nós. Temos certeza que todos que estamos a conversarmos contigo tem uma memória sua, um canto reservado na mente e no coração o quanto sua presença foi importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o Presente, sentimos dor, Carlos. Pois é, o que temos que sentir além da dor...? Saudades, muitas saudades. Em tudo que falamos, sobre tudo que respiramos, em relação ao que pensamos, você está presente. Se olhamos um para o outro nesse recanto santo, vemos a ti, sentimos a sua presença. Se lágrimas as temos, se gargantas sangram, se corações palpitam tanto, é a sua presença, nada mais. Não é fácil você partir assim, sem mais nem menos. Pensamos até que foi à Crateús, para um passeio, ou a Fortaleza a negócios, mas, sentimos a realidade palpável de que estamos enganados, mas vamos pensar assim, de que você tomou um ônibus da FretCar, esquecido das malas, dos seus, sentou na ultima poltrona, recostou a cabeça no encosto, lançou um último olhar para a Matriz, para a linha férrea, para o giradouro e fechou os olhos lentamente, cansado de mais um dia, e dormiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Futuro? Ao acordar, Carlos, lembre-se de nós, porque aqui o futuro está no sangue dos seus filhos, nas obras que deixou, nas amizades infindas, na perpetuação das lembranças em tudo que materializou as suas ações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, Negão, dorme, balança nos braços do Senhor e que os sonhos sejam sempre eternos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-6563994745441647795?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/6563994745441647795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=6563994745441647795' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/6563994745441647795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/6563994745441647795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2011/03/ola-carlos.html' title='OLÁ, CARLOS'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-IK0mJB1wxHQ/TYuhC6G4vMI/AAAAAAAAAPA/eKCcObVcN8k/s72-c/Imagem+843.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-1944065609521871647</id><published>2010-08-04T02:57:00.000-07:00</published><updated>2010-08-04T02:57:19.873-07:00</updated><title type='text'>ESTATÍSTICA DE VIAGEM</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/TFk5YLZhe0I/AAAAAAAAAOU/ALQN1BabhRY/s1600/campanha-mais-mulheres-no-poder-37-116-thumb-570.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" bx="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/TFk5YLZhe0I/AAAAAAAAAOU/ALQN1BabhRY/s320/campanha-mais-mulheres-no-poder-37-116-thumb-570.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Quem disse que há no mundo mais mulheres do que homem; de que há sete mulheres para cada homem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discordo imensamente dessa teoria em que pese o que passo semanalmente ou meses ou anos. Não há mais mulheres do que homens, infelizmente. Isso prova essa minha tese pelo tanto que já passei. Alguém sabiamente ou sexualmente ou economicamente desbravou nos quatro mundos, ou nos quatro cantos do Brasil essa ilegítima ideia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Queira Deus que isso fosse verdade, que ao meu lado quatro mulheres, não sete, estivessem nos meus cantos, nos meus delírios, nos meus encantos, ou mais precisamente, nas semanas em que viajo no ônibus tragando seiscentos quilômetros de estradas. Que elas estivessem ao meu lado, na minha frente, atrás, em cima, qualquer lugar, no lugar desses insuportáveis homens, a bem da verdade, quer ver, vejamos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se viajo semanalmente por seiscentos quilômetros indo e vindo; por dois mil e quatrocentos quilômetros por mês; por vinte oito mil e oitocentos quilômetros por ano. Se viajo dez horas por semana até chegar ao destino; quarenta horas por mês; quatrocentos e oitenta horas por ano, e se o meu cálculo não me engana, nesse tempo todo, trilhando estradas, comendo quilômetros, gastando-se horas, tenho os meus cálculos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinho nas duas cadeiras no ano por hora: trinta por cento, ou seja, cento e quarenta e quatro horas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma mulher, independente se criança, se adolescente, se idosa: um por cento, ou seja, quatro horas e oito minutos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com homens: o restante, ou seja, 69% (sessenta e nove por cento).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estão as mulheres? Talvez alguém responda que os homens viajam mais, mas isso não me convence, pois de todos os lados nas viagens vejo mulheres. Vejo mulheres com os seus lençóis, com suas crianças, com seus maridos, sós, divagando, ouvindo mp4, lendo, muitas vezes sozinhas. Vejo mulheres indo ao banheiro, vindo no corredor do ônibus em busca de seu acento, e de duas uma: ou fica na metade do caminho, ou passa por mim para sentar atrás, ou no máximo ao lado, porém noutra fileira de cadeiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, quando vejo um gordo (sem preconceito), tremo-me todo, até porque sou magro e tenho a plena convicção de que serei espremido e o resto da viagem sentirei falta de ar e de espaço. Quando vejo um bando de policiais que vez por outro vão à reuniões em Fortaleza, sobrará para mim a cadeira ao lado, que saco. Quando vejo um homem com sua mochila nas costas, ou forte e alto, ele certamente vai sentar-se ao meu lado, e em noventa e nove por cento (essa crônica tem muito de números) das vezes tomará o apoio da cadeira do meio como se ele estivesse só, pois não terá consciência de espaço, porque sentará quase em cima de mim. Quantas vezes ronca ao solavanco do ônibus, que pra ele é música aos ouvidos, e virará o rosto pra mim como se estivesse em plena cama conjugal numa liberdade desvairada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso acontece com os homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O um por cento que sobrou das mulheres, nas raridades vem sentar-se ao meu lado, senta-se tão devagar, permanece tão em silêncio, divaga tão senhoril, que penso que ali não tem ninguém. E quando o seu braço, distraidamente, toca o meu, tremo-me todo, porque acho que ali ao meu lado há um anjo, um fantasma e que não acredito piamente se ali é uma mulher ou na pior das hipóteses um travesti: sei lá!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-1944065609521871647?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/1944065609521871647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=1944065609521871647' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1944065609521871647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1944065609521871647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2010/08/estatistica-de-viagem.html' title='ESTATÍSTICA DE VIAGEM'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/TFk5YLZhe0I/AAAAAAAAAOU/ALQN1BabhRY/s72-c/campanha-mais-mulheres-no-poder-37-116-thumb-570.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-3620925896766643642</id><published>2010-06-12T11:12:00.000-07:00</published><updated>2011-03-24T12:59:51.185-07:00</updated><title type='text'>NOS CONVIVIOS DO VELHO GRAÇA</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/TBPN2vT9ldI/AAAAAAAAAOE/xFxURb53iDI/s1600/PICT4490.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" qu="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/TBPN2vT9ldI/AAAAAAAAAOE/xFxURb53iDI/s320/PICT4490.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer." ( Graciliano Ramos )&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/TBPMmoeZZVI/AAAAAAAAAN0/tdlLn7JuvOI/s1600/PICT4476.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" qu="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/TBPMmoeZZVI/AAAAAAAAAN0/tdlLn7JuvOI/s200/PICT4476.JPG" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/TBPM-uTceoI/AAAAAAAAAN8/kjks-swdcPg/s1600/PICT4484.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" qu="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/TBPM-uTceoI/AAAAAAAAAN8/kjks-swdcPg/s200/PICT4484.JPG" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Neste final de semana tive a grata satisfação de estar num dos convívios do “Velho Graça”, de maneira que me senti feliz demais. Foram momentos raros em que conheci a casa onde Graciliano Ramos viveu com a sua segunda esposa, e na terra onde ele protagonizou um dos mais importantes trabalhos literários de todos os tempos, na Palmeira dos Índios/AL.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que os conterrâneos de Graciliano Ramos sentem-se honrados, orgulhosos de ter compartilhado o convívio do literato, sentir a presença tão marcante de um dos maiores escritores brasileiros e nordestinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entrei no casarão – hoje museu – tive a sensação de ter percorrido anos ao lado do escritor. Cada fotografia, cada palmo de terra, uma cadeira de palhinha, um birô, roupas de dormir quando ele estava doente, livros de primeiras edições, os cigarros que gostava de fumar, as piteiras, conjunto de barbear, canetas e uma máquina de escrever. Mais precisamente a máquina de escrever que me chamou mais a atenção, se bem que o mesmo gostava de escrever no auge da inspiração à mão, para depois repassar a limpo pela máquina. Vi-me sentado no seu birô a escrever as coisas de hoje com aquela máquina, a responsabilidade em datilografar cada letra, sem preguiça, com esforço, até porque hoje temos uma facilidade enorme com o computador. Senti o cansaço em dedar cada tipo num afã de chegar ao resultado final. E sabendo que o escritor escrevia à mão, num esforço em enegrecer o papel em branco de qualquer forma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, vejo as facilidades no manejo da sofisticação, porém não se vê tanto brilhantismo na escrita, em vários aspectos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à casa de Graciliano Ramos, o aspecto é claro, azulado (portas e janelas pintadas de azul), uma sombra de nostalgia, cultura e sossego. Se ficasse ali por mais tempo, certamente não veria o tempo passar. A noite chegaria mansa, os raios da lua entraria pela única janela aberta e não me surpreenderia. Estaria eu submerso num ambiente totalmente à parte do mundo e de todos. O que viria era somente um homem e seus rascunhos, seus retratos, suas vidas secas, suas angústias, sua infância, são Bernardo estereotipado, caetés mais de perto, e tentaria desvendar em cada palavra, em cada sílaba, em cada frase um mundo atípico, longe, muito longe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-3620925896766643642?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/3620925896766643642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=3620925896766643642' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/3620925896766643642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/3620925896766643642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2010/06/nos-convivios-do-velho-graca.html' title='NOS CONVIVIOS DO VELHO GRAÇA'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/TBPN2vT9ldI/AAAAAAAAAOE/xFxURb53iDI/s72-c/PICT4490.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-5024493060176571902</id><published>2010-01-13T08:36:00.000-08:00</published><updated>2010-01-13T08:39:28.928-08:00</updated><title type='text'>CRIMES ANUNCIADOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;Parte 1&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left" class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/S032R4YDNHI/AAAAAAAAAMU/je7ZkHq0Vf8/s1600-h/s500x500.gif" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ps="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/S032R4YDNHI/AAAAAAAAAMU/je7ZkHq0Vf8/s320/s500x500.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Sempre que um ano inicia-se vem com ele, água e morro abaixo, vidas, sofrimentos, mortes. Nada mais triste do que sequer por os pés num ano novo, onde psicologicamente se tem a ideia de que tudo recomeça com alma nova, com espírito renovado. Até tem pessoas que juram mudar de vida, dar uma guinada nos negócios, recompor a economia, abraçar seus desafetos, voltar com a esposa, dar a volta por cima na desgraça que o ano anterior deixou enlameada até o pescoço. Porém, mal o ano se inicia e antes que janeiro se finda, a vida se torna a mesma e nada de novo. O novo foi apenas o espocar dos fogos, do champanhe aberto às pressas e sem jeito, da cerveja bebida aos sorvos, dos abraços dados a todos que se encontraram pelo caminho. Somente isso. Nada de renovado, nada de diferente. A rua a mesma, a casa a mesma, os amigos os mesmos, os amores... Bom, podem ser outros, mas os desgostos, os desencontros, as brigas, tudo o mesmo. O que mudou? Aquela promessa de final de ano, desde o início das festas de natal, com ou sem Papai Noel, onde se persignou com uma devoção arraigada, fervorosa, inundada de uma esperança buscada e rebuscada, tudo não passou de simples momento. Veio o final do ano, o antes, durante e bem recente pós, ainda se tinha nos gestos, no jeito a mais nova composição do que seria uma vida nova: tudo se foi, com o simples surgimento do sol e do emprego, do(a) companheiro(a) ao lado, das dívidas somadas, do carro velho, da sogra, dos meninos barulhentos, do vizinho chato com músicas bregas de maltratar os ouvidos, do riso da vizinha que a tudo ver e comenta, da novela das oito, do Big Brother que teima em voltar. O que mudou? Nada, simplesmente nada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, numa pacata cidade interiorana (ver em breve um trabalho nosso intitulado: “Pão e carne: um assassinato anunciado”) para a personagem feminina de 21 anos de idade, bonita moça que poderia ter um futuro promissor, mudou. Mudou macrabamente para pior. Stephen King poderia escrever sobre esse crime, Gabriel Garcia Máquez também em “Crônica de uma morte anunciada”, mas apenas uma nota de poucas linhas, uma crônica perdida no fim do mundo anunciou o ocorrido. Nada sem muita importância por tantos crimes cometidos nessa passagem do ano. Crimes do homem contra o homem, esse ser irracional, crimes do homem contra a natureza, crime em todos os aspectos desumanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenário: um quarto de motel. Personagens: dois amantes. Arma do crime: Irracionalidade misturada a uma arma branca. Causa: Banalidade. Resultado: uma jovem de 21 anos barbaramente ceifada da vida, onde no ambiente pintou com mãos, braços, cabelos, em trágicas pinceladas, as paredes, camas, lençóis de um sangue hitchcockiano pra lá de macabro. Por quê? Por nada, por causa do sexo, por causa de um amor rarefeito, incompreensível, da insensibilidade humana, do poder do macho contra uma fêmea desprotegida, por causa da idéia primitiva de traição, quando na verdade ninguém dá o direito de ser dono do outro. Final da história, em meio a sangue, objeto pontiagudo e cortante, pão e carne, entregue à família para o velório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Foto meramente ilustrativa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://fotos.sapo.pt/marisa26/pic/004x6t5q/s500x500"&gt;fotos.sapo.pt/marisa26/pic/004x6t5q/s500x500&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-5024493060176571902?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/5024493060176571902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=5024493060176571902' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5024493060176571902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5024493060176571902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2010/01/crimes-anunciados.html' title='CRIMES ANUNCIADOS'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/S032R4YDNHI/AAAAAAAAAMU/je7ZkHq0Vf8/s72-c/s500x500.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-4611003539450177020</id><published>2010-01-06T13:21:00.000-08:00</published><updated>2010-01-06T13:21:36.791-08:00</updated><title type='text'>SOLIDÃO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/S0T-V-36EhI/AAAAAAAAAMM/XUsWgUz-6vc/s1600-h/untitled.bmp" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ps="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/S0T-V-36EhI/AAAAAAAAAMM/XUsWgUz-6vc/s320/untitled.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Pelas sete horas da manhã, quando passo numa curva do caminho, vejo sempre uma pessoa, ao longe, numa varanda, sentada numa cadeira de rodas, em plena solidão. Muitas vezes ela olha para o ônibus que passa, outras vezes de costas a olhar para o verde do amplo quintal. Um quintal que é um campo repleto de verde, de ar, de pássaros, de brisa, de animais. Quando deixo para trás aquela cena, vem na minha cabeça aquela solidão, a cadeira de rodas e esqueço-me do tempo para imaginar a personagem e sua vida. Principalmente nesta última vez que a vi de costas, a vagar seu olhar pelo campo. Imaginei o amor perdido (perdido pelo fato da condição de paralítico), ou do acidente que ocorreu, ou da doença que a deixou assim, da amada ou do amado que está lá dentro a fazer o café da manhã ou no campo com o leite recém ordenhado. Imagino se tudo isso seria uma condição para que, no pequeno foco da minha visão, a condição de solidão obrigasse ao meu cérebro a esquecer do verde do campo e mergulhar-me na vida daquela pessoa. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;E no decorrer da viagem, no transporte de minha mente, vejo aquela pessoa em pé, ou de calças ou de saia, de sorriso nos lábios a receber o bafejo do vento em seu rosto numa manhã qualquer há muito tempo a espera do ou da amada. Não sabendo ela que um dia estaria numa cadeira de rodas para sempre, a amanhecer e depender de outra pessoa para sobreviver. Perderia parte de sua vida por ter caído do cavalo, por ter adquirido uma doença degenerativa, por ter sido atropelada por um veículo, por um acidente de carro quando voltava do trabalho. E ali, ficaria condicionada aquele veículo, embora presa num ambiente soberbo, majestoso. Mas, seria uma prisão que encheria os olhos? Seria um lugar que traria esperança? Ou seria apenas um lugar qualquer que não ajudava em nada para o seu crescimento pessoal e humano?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Fico a imaginar que muitas pessoas gostariam de estar naquele ambiente, a receber a brisa sempre no rosto, a ouvir os cantos dos pássaros tão de perto, a ter um animal à vista sem se amedrontar, mas, a cadeira de rodas tracionaria a quem quer que fosse a estagnar numa vida limitada, embora a esperança fosse de que estava viva e isso era o mais importante, mediante o caso que acontecera para essa condição. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Mas, esquecendo parte desses enlevos, voltando para o cenário que sempre vejo no rápido passar do ônibus, que ali está sempre um humano que sofrera, que sofre, mas acredito que ainda sorri, ainda é feliz e é querido, amado e privilegiado, de qualquer forma. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;Imagem: dumc.zip.aet/arch2007.02.25_2007.03-03.htlm&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-4611003539450177020?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/4611003539450177020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=4611003539450177020' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/4611003539450177020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/4611003539450177020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2010/01/solidao.html' title='SOLIDÃO'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/S0T-V-36EhI/AAAAAAAAAMM/XUsWgUz-6vc/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-2355051710496424314</id><published>2009-11-26T11:04:00.000-08:00</published><updated>2009-11-26T11:09:58.174-08:00</updated><title type='text'>SOTERRADO VIVO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sw7Sb40efQI/AAAAAAAAALc/MZhypim75Vs/s1600/p%C3%B3.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 242px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sw7Sb40efQI/AAAAAAAAALc/MZhypim75Vs/s320/p%C3%B3.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408491579069332738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Hoje tive vontade de escrever a vocês sobre um assunto simples, mas que achei que poderia fazê-lo. Quando estou, sempre, semanalmente em duas noites em Senador Pompeu, deitado numa rede, ora escrevendo, ora lendo, ora a hibernar pensamentos de olhos abertos para as telhas, temo cair nos meus olhos tijolos de barro. Sim, todas as coisas que tem na casa em rápidos segundos, depois de limpos, logo estão empoadas: livros, roupas, televisão, laptop... Eu. &lt;br /&gt;Por isso a idéia do soterrado vivo. O medo que me dá é de acordar um dia, de dentro da minha rede, e a areia está até no meu pescoço, ou de todo encoberto. Persegue-me a terrível hipótese, um dia, de um cataclismo cerebral, e eu de olhos abertos, porém morto, estagnar-me na rede, com um teclado nas pernas, um texto por terminar e o pó do telhado, aos poucos, iniciar a me soterrar. Sem que eu nada possa fazer, o pó inicia seu trabalho, enquanto os outros objetos já estão quase soterrados. Lá na porta ninguém a bater, sem se dar conta que existo, achando que fui embora, que não há ninguém na casa, por um silêncio agoniado, só se ouvindo um pequeno som de algo batendo, de leve, em cima de um saco plástico e nada mais. Um som suave de algo batendo num saco plástico que pode está em algum lugar na casa, somente. Nada da existência de um ser humano, deitado numa rede, que se sentiu mal, está de olhos abertos, vivo-morto, recebendo na cara grãos e mais grãos de um pó das telhas, que a princípio, inofensivo, que até faz parte do cardápio dos senadorenses. Sim, por que não? Acredito que ninguém se dá o devido parecer sobre a idéia incontestável de que grãos e mais grãos caem a toda hora do telhado em cima, não só de móveis e cerâmicas, mas nos pratos que estão a espera dos que vão à mesa para o almoço e a janta. Demorou? Os grãos estão lá, fazendo parte de um cardápio que não está escrito, mas com certeza está lá. Quem sabe alguém não já se deliciou com o triturar de areia junto com pão, bolo, arroz, feijão.&lt;br /&gt;Por isso, não quero viver soterrado, tenho que levantar-me e andar e espalhar esses grãos por outros vãos. Os senadorenses estão acostumados com o pó dos telhados, desde os tempos da seca e da cólera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-2355051710496424314?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/2355051710496424314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=2355051710496424314' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/2355051710496424314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/2355051710496424314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2009/11/soterrado-vivo.html' title='SOTERRADO VIVO'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sw7Sb40efQI/AAAAAAAAALc/MZhypim75Vs/s72-c/p%C3%B3.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-7673145904139944188</id><published>2009-10-25T07:37:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T08:49:17.985-07:00</updated><title type='text'>NOSSA MÃE DEZINHA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SuRuEf0nJXI/AAAAAAAAALU/wPWtDt9eWsQ/s1600-h/dezinha.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396559277037397362" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SuRuEf0nJXI/AAAAAAAAALU/wPWtDt9eWsQ/s320/dezinha.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A morte sempre é cruel e nunca desejada. Por mais que ela seja esperada, e ninguém espera, e mais reconfortável quando na velhice. Toda e qualquer pessoa não pensa nela, e paralelo toca-se a vida por mais tépida, por mais frívola, por mais chata. Quem não teve um ente querido que se foi e nós, vivos, na frugal esperança de que nos veremos no paraíso?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dia 20 de outubro foi o dia. Nossa genitora, depois de 84 anos, fechou seus olhos, apesar dos mesmos antes vivos, porém ausentes, estarem mortos para nós, os filhos, parentes e amigos. Perder uma mãe, em qualquer que seja o tempo, ou na tenra idade ou no ápice dela, é inconsolável.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nossa mãe, infelizmente, acometida do mal de Alzheimer, durante 12 anos, penetrou numa penumbra progressiva e fechou-se no seu tempo e lugar. Palpitava seu coração, seu sangue dos Franças, mas não sentia, não via. Respirou por bom tempo os ares de Aurora, acolhida por aquela gente, embora sempre desejasse enterrar-se em Juazeiro do Norte. E assim se deu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nossa mãe, depois de fechado os olhos, estampou no semblante a carne da velhice, a delicada senhora que em vida não tinha vaidade, e não me lembro muito de que nos seus lábios batons avermelhados analtecessem, ou ruges nas faces, ou brilhos nos cabelos, ou roupas espalhafatosas ou unhas irremediavelmente pintadas. Lembro-me bem do seu sorriso, do seu jeito peculiar de ver as pessoas, de tratá-las, de pregar a palavra de Deus. No seu semblante ainda dava para ver as rugas serpenteadas de uma vida bem vivida ao seu modo, ao lado de um homem que soube entendê-la, que soube enaltecê-la. Rugas cravadas de uma vida cheia de alegria, apesar de alguns anos no sofrimento econômico, no quase impossível para educar os filhos, alimentá-los, mantê-los. Rugas de uma mulher batalhadora, de uma companheira solidária, de uma mulher de fé que mapeou quase todas as ruas e casas de Juazeiro de uma época em "tirar a Renovação", levar os santos nas casas, milhares de novenas. Não dava para ver seus joelhos revestidos de roupas e flores, mas eu os sabia, pois neles ainda estavam marcados os calos de tantas orações ajoelhadas aos pés de santos e santos e santos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Joaquim, Agnelo, Arnaldo, Adailton e Anchieta Mendes, aquele primeiro o marido, e estes demais os frutos e sobreviventes de uma prole de 12, foram os homens da nossa mãe. Ela trouxe a todos no rolar das contas dos rosários em orações fortes e incansáveis. Estamos vivos, menos o pai, e espero que ainda sob as suas preces. Quiçá que elas durem por muitos e muitos anos. É a tal da morte que nos impõem medo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nossa mãe ainda vive e viverá em nossos enlutados dias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um beijo pra ela lá no seu firmamento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-7673145904139944188?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/7673145904139944188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=7673145904139944188' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/7673145904139944188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/7673145904139944188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2009/10/nossa-mae.html' title='NOSSA MÃE DEZINHA'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SuRuEf0nJXI/AAAAAAAAALU/wPWtDt9eWsQ/s72-c/dezinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-958133354163975323</id><published>2009-07-04T16:23:00.000-07:00</published><updated>2009-07-04T16:28:53.130-07:00</updated><title type='text'>A CRIANÇA NÃO É MEU FILHO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sk_k_yCMSCI/AAAAAAAAAKE/WQOfw_ldC3I/s1600-h/imagem.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354750266380666914" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sk_k_yCMSCI/AAAAAAAAAKE/WQOfw_ldC3I/s320/imagem.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Billie Jean is not my lover&lt;/div&gt;&lt;div&gt;She's just a girl who claims that I am the one&lt;/div&gt;&lt;div&gt;But the kid is not my son&lt;/div&gt;&lt;div&gt;She says I am the one, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;but the kid is not my son &lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Billie Jean – Michael Jackson)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parafraseando Michael Jackson nesse tempo de sua morte e das relembranças sobre sua vida, seus sucessos, seu algozes e seus milhares de fás, escrevi um conto com o mesmo teor: “Toma que o filho é teu” há algum tempo. Quando vi o verso, lembrei-me automaticante do que escrevi.&lt;br /&gt;O mundo deu a Michael Jackson um imenso filho, uma galeria de fás que não quis saber o que ele era, o que ele foi, mas a importância da música, do seu jeito único, da dança, da sua presença no palco, da criatividade absoluta, do menino que dormia dentro de si.&lt;br /&gt;Comparo tudo isso à foto de George Okanda: folha única, molhada pelo orvalho, segura a fio no tronco da árvore, a espera da brisa que a levasse pelos campos, prestes a ir-se com a gota d´água como companheira.&lt;br /&gt;São duas imagens que perfilam muito bem o tom que a vida dá: o primeiro como soberano, não-simples, mas tácito em ser um ser humano do mundo, envolvido em grandes atuações; o segundo como uma parte no universo da beleza natural, onde um olho sensível nos captou para o nosso deleite. Ambos como nuances para encher os olhos. Ainda ponho na mesma linha a suavidade da folha e o verso do compositor: But the kid is not my son. Uma negação às intempéries da vida, aos percalços, quiçá os sucessos, a idolatria, o título de King of Pop. Se de um lado há a realidade cruel, por que não volver-nos para a natureza, à folha verde cheia de vida, ainda que no futuro envelheça e tornará adubo. Michael não envelheceu tanto, mas o bastante para o que mundo vislumbrasse nele a folha cálida e única aos olhos mais sensíveis. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-958133354163975323?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/958133354163975323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=958133354163975323' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/958133354163975323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/958133354163975323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2009/07/billie-jean-is-not-my-lovershes-just.html' title='A CRIANÇA NÃO É MEU FILHO'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sk_k_yCMSCI/AAAAAAAAAKE/WQOfw_ldC3I/s72-c/imagem.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-2502132864254698224</id><published>2009-05-03T08:36:00.000-07:00</published><updated>2009-05-03T08:44:41.864-07:00</updated><title type='text'>AUTÓGRAFOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sf26xBzjGII/AAAAAAAAAJ8/6GKfgSwqJMQ/s1600-h/DDProsa.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331622885337536642" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 202px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sf26xBzjGII/AAAAAAAAAJ8/6GKfgSwqJMQ/s320/DDProsa.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Estive a autografar o meu livro DOIS DEDOS DE PROSA, para alguns funcionários da empresa Calçados Senador Pompeu. Foram tantos, e quando percebi, para cada livro autografado, eu oferecia com um pensamento. Sabe aquele pensamento que vem aos jatos, de uma vez, e percebi que seria interessante postar no OBSERVAÇÕES DE BORDO, porque ficou diferente, e os repasso a vocês.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Se o homem lesse mais, quanto o mundo seria outro;&lt;br /&gt;Um sorriso vale ouro, tanto quanto uma amizade verdadeira;&lt;br /&gt;Por mais que seja árduo o trabalho, melhor será sua recompensa;&lt;br /&gt;Um dos melhores momentos na vida da pessoa é aquele em que o sorriso tem o gosto da vitória;&lt;br /&gt;Saber ler não é apenas com os olhos, mas com mente e alma;&lt;br /&gt;A humildade de um homem ainda lhe faz grande;&lt;br /&gt;Saber trilhar os caminhos da vida não é fácil, mas tem que se tentar a cada dia, e desistir jamais;&lt;br /&gt;O homem sempre busca descobrir mais coisa, e que essas coisas sejam os valores que brotam dentro dele;&lt;br /&gt;O encanto de uma pessoa não está nos cabelos e nem nos olhos, mas na simplicidade que ela se apresenta;&lt;br /&gt;Um pó de arroz pode até rejuvenescer, mas é necessário pós de letras e palavras para fazermos mais inteligentes;&lt;br /&gt;Desesperar jamais, pois o amanhã sempre nos brilhará com o sol de um novo dia;&lt;br /&gt;Quando mais de uma letra se junta com outra se faz uma palavra, e esta às vezes nos surpreende quando menos se espera;&lt;br /&gt;Por mais que sejamos grandes, sempre há detalhes que nos faz pequenos;&lt;br /&gt;De puro prazer de ler, se sente o transporte para outro mundo;&lt;br /&gt;Somos grandes naquilo que fazemos, por isso temos que confiar em nós mesmos;&lt;br /&gt;É necessário, em vida, acreditar em Deus sempre, embora saibamos que acreditar nos homens não é tarefa fácil;&lt;br /&gt;Um choro de criança igualo ao de escrever: ambos nos faz sentir que somos pais;&lt;br /&gt;Como seria interessante que nascêssemos velhos e morrêssemos novos;&lt;br /&gt;O gosto maior de um escritor é quando ver sua obra nas mãos do leitor, e melhor ainda: quando se é lida;&lt;br /&gt;Se os olhos vêem o mundo, imagine o que a alma tem para dizer;&lt;br /&gt;O sol que nasce todos os dias é uma certeza de que a lua logo vem;&lt;br /&gt;Se a vontade é de sempre pescar peixes, não é tão ruim pescar palavras e pensamentos: ambos saciam a fome;&lt;br /&gt;O momento mais marcante entre as pessoas são aqueles traduzidos pela alma;&lt;br /&gt;A maior bravura de uma mulher está na condição de ser mãe;&lt;br /&gt;Cada palavra neste livro é como pétalas de uma flor silvestre, e olhe que foi germinada pelos ventos e brisas;&lt;br /&gt;Conviver bem não é fácil, embora o homem não saiba viver só, e não há um só dia que o sol e a lua sejam iguais;&lt;br /&gt;O conhecimento é a única herança que jamais é roubado;&lt;br /&gt;Galgar um posto mais alto é sempre a ânsia do ser humano, embora a espera por isso maltrate-lhe os dias;&lt;br /&gt;Deus existe, é verdade, e a semelhança nossa muitas vezes nos envergonham de assim sê-lo;&lt;br /&gt;Um livro pode ser um amigo, uma companhia, e ele fala tantas coisas a cada dia, a cada leitura e releitura;&lt;br /&gt;Ver uma página em branco é algo que encanta e espanta um escritor: só outra para incentivá-lo a ir longe;&lt;br /&gt;Não basta apenas deglutir, mas saborear cada palavra, cada vírgula e o resultado será uma ceia das mais cultas;&lt;br /&gt;A busca pelo melhor faz parte do homem, não lhe interessando se pelos verdes ou pelos desertos: o importante é encontrar;&lt;br /&gt;Cativar as pessoas é um sentimento que só ao homem é dado, por mais que sejamos animais.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-2502132864254698224?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/2502132864254698224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=2502132864254698224' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/2502132864254698224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/2502132864254698224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2009/05/autografos.html' title='AUTÓGRAFOS'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sf26xBzjGII/AAAAAAAAAJ8/6GKfgSwqJMQ/s72-c/DDProsa.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-4952384323275715948</id><published>2009-04-18T17:28:00.000-07:00</published><updated>2009-04-18T17:30:40.547-07:00</updated><title type='text'>DA FICÇÃO PARA A REALIDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SepwpcXQ4oI/AAAAAAAAAJ0/UUn_Hhm3B2I/s1600-h/1526470055_d5e40288ea.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326193366609748610" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 224px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SepwpcXQ4oI/AAAAAAAAAJ0/UUn_Hhm3B2I/s320/1526470055_d5e40288ea.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Observações de bordo está de volta. Em uma das minhas crônicas, lembro-me bem, falei de que muitos escritores tecem suas obras a partir de uma imagem que viu (jornal, revista, televisão ou da sua realidade diária). Há histórias contadas a gosto, de uma forma lúdica, de uma maneira prazerosa, desde à própria imaginação do autor, até de uma realidade que ele viveu, que ele presenciou ou mesmo que alguém lhe contou.&lt;br /&gt;A minha história de hoje baseia-se em uma realidade que ouvi pelo próprio autor. Era uma manhã meio chuvosa – meio porque chovia, parava, voltava a chover, garoava, molhava o asfalto e as gentes. Fiz parte desse cenário chuvoso, naquela manhã. Vi-me num hospital a espera da consulta. Muita gente, pessoas que se eu atentasse bem, para cada uma nasceria uma crônica inusitada. Não procurei ninguém, nem sequer balbuciei palavras de um bom dia, olá como vai para ninguém. Porém, assentou-se ao meu lado um senhor. Reparei nele o uso do chapéu, de óculos antigos, de aspecto inteiro e de passos firmes. O corpo esguio, porém de estatura mediana, vestes simples e de um olhar vivo, audaz, atento. Sentou-se ao meu lado. Reparou-me, não perguntou meu nome no primeiro balbucio de palavras – talvez pelo fato de que aquele encontro seria único, não interessava o depois – e nem eu, sequer imaginaria que ele poderia estar sendo observado e transcrito para essas páginas dias depois. Para nós, bastava apenas aquele momento.&lt;br /&gt;Seu Raimundo Nonato – ele deu-me o nome para minha lembrança – iniciou a palavrear em tons baixos, soltos, quase ininterruptos, onde aqui e ali, eu esforçava-me a entender, e a conversa prosseguia. Disse-me os seus anos: ”Você acredita? Tenho 94 anos. Ando só, já fui até para o Pará, sim fui, sozinho, passei 8 dias nas estradas.” “Ainda hoje coloco minha rocinha, sou do campo e de lá não saio.” Filhos! “Mais de 30 espalhados por aí. Três casamentos, onde as duas primeiras mulheres morreram, e essa última ainda está comigo. Tem lá seus mais de setenta anos. Não me serve mais... Aliás, ela mesma disse para mim: `Raimundo, não sirvo mais para essas coisas... Pode se virar´. E o senhor, o que faz? “Pois é, faço. Venho aqui pra rua de 8 em 8 dias... “Não gosto de mulheres velhas, só novinhas...”&lt;br /&gt;Rapidamente, como se acendesse uma lâmpada no meu cérebro, e naquela vontade de rir e a olhar para aquela personagem de contos, de novelas, de romances latinos americanos, veio-me Gabriel Garcia Marquez com sua novela Memórias de minhas putas tristes. Não seria mais semelhante, igualmente idêntico. A novela de Gabo retrata as memórias de um senhor nonagenário, quando do seu aniversário quis comemorar com uma menina virgem. Olhei para seu Raimundo e vi nele a imagem do personagem de Gabriel Garcia Marquez. Na novela tudo foi impossível, mas para aquele homem ali, de 94 anos, lúcido, forte, cheio de vida, segundo o mesmo, ainda sentia os prazeres da carne, embora as prostitutas não fossem mais virgens. Senti-me ali pequeno, longe do personagem real e tentei não pensar no meu futuro, nos meus anos que virão, e teimei achar que tinha certeza que eles virão mesmo.&lt;br /&gt;Seu Raimundo ainda continuava a falar, falar, enquanto eu ia viajando no seu passado, na novela de Gabo, nas pelejas do homem ali perto, a falar de Lampião, de comparar bandidos de antigamente com os de agora; os daquele tempo eram mais “honestos”, os de hoje não valem um “vintém”. Entrou na política, rememorou quando tinha 11 anos ficou ao lado da figura mais incrível daquela época, o cangaceiro temível. Com 11 anos também discutia política, sabia bem das coisas, era inteligente. Quando com 80, ganhou o cargo de delegado do lugarejo. Disse ainda que não tinha medo de bandidos, conviveu com muitos, mas, andava armado. Mostrou a peixeira nos quartos.&lt;br /&gt;Ri, mais comigo do que com ele, e quando ele foi chamado para ser atendido, deixou-me intrigado. Lá se ia uma vida longa, de tempos longínquos, de saúde e imponência. Deixou-me cá a pensar que a vida era engraçada, apesar dos pesares, das dores e dos ais. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-4952384323275715948?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/4952384323275715948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=4952384323275715948' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/4952384323275715948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/4952384323275715948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2009/04/da-ficcao-para-realidade.html' title='DA FICÇÃO PARA A REALIDADE'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SepwpcXQ4oI/AAAAAAAAAJ0/UUn_Hhm3B2I/s72-c/1526470055_d5e40288ea.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-1191973324049814721</id><published>2009-03-22T07:57:00.000-07:00</published><updated>2009-03-22T09:40:43.908-07:00</updated><title type='text'>UM OLHO, OUTRO OLHO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/ScZoGvSPPyI/AAAAAAAAAJs/cW5Q-HAFozA/s1600-h/Olhos+do+Pe.+Cicero.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316050875138916130" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/ScZoGvSPPyI/AAAAAAAAAJs/cW5Q-HAFozA/s320/Olhos+do+Pe.+Cicero.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estive ausente, estive longe, estive nulo, mas não morto e nem podre e nem frívolo. Estive ofuscado, mas com brilho. Estive lógico, mas sem tempo, ou o tempo estava sem mim? Não sei, só sei que cá não estive, ou talvez sim, lendo e relendo o que escrevi. Vale a pena, sim, retomar, porque se poucos me lêem, poucos são muitos nesse universo de carne e ossos conturbados, soltos a léguas e próximos. É bem verdade que se precisa de paz, de espaço, de ciência, de tato, de gosto, de tantas coisas. Ora, se ao meu lado a televisão grita impropérios por conta de assaltos, de escândalos, de enchentes e de prantos, quem sou eu para pensar e dizer que “não estou nem aí?” Estou sim... Estamos!&lt;br /&gt;Mas não vamos longe, seguimos de passos curtos, pé ante pé. Isso para não acordar os desavisados, caso haja por aí tantos. Por isso que nesse texto semi-lógico, vou tentar usar o máximo para poetizar o momento e remexer com o que está, agora, nesse período de festejos em Juazeiro do Norte. Primeiro um poema, para depois prosear sobre o nosso Patriarca. Dois textos independentes, mas como os poetas que lêem, os escritores que auscultam podem até associá-los: coisa de doido.&lt;br /&gt;Espere um pouco...&lt;br /&gt;Um olho, outro olho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um tem tanto brilho,&lt;br /&gt;O outro ofusca, mas acompanha com esmero;&lt;br /&gt;Se um é aquele que espero,&lt;br /&gt;O outro não se tornou tão frívolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tem a diferença mais marcante,&lt;br /&gt;Outro não acompanha tão bem;&lt;br /&gt;Aquele tem o jeito de um amante,&lt;br /&gt;Este não se compara a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São dois, claro, num rosto oblíquo,&lt;br /&gt;Mas não são iguais assim tanto;&lt;br /&gt;Ambos têm diferenças lógicas,&lt;br /&gt;Pois se nota logo num espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um é libidinoso e passivo e pronto,&lt;br /&gt;O outro tem brilho até demais;&lt;br /&gt;Se um é semelhante a lascivo e santo,&lt;br /&gt;O outro, pasmem, é o diabo por trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ambos riem, choram, a tudo enxergam&lt;br /&gt;No mesmo campo facial e amplo;&lt;br /&gt;São dois diferentes olhos que se interam&lt;br /&gt;Um e outro em vários ângulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, por vários ângulos se ver tudo ou quase tudo ou quase nada. Se o poema acima se fala de olhos, também pode falar de observações, de analogias, de simetria... Ah! Que versejem como quiser. Mas lhes pergunto: Que ângulos são vistos a figura do Padre Cícero? Com um olho, outro olho, dois, um, vários, milhões? Aposto que são vistos assim: menino, homem, padre, missionário, vidente, realista, intelectual, messiânico, idolatrado, empreendedor, naturalista, amigo, da família, bem feitor, político, embusteiro, santo. Quantos adjetivos, quantas maledicências, quantos pormenores, quantos mistérios. Quem se atreve, dentre esses detalhes, escolher um ou outros para bradar a quatro ventos a bandeira escolhida? Veja bem que muitos assim o fazem, mas por uma causa própria, desejada, afogueada por uma fé camuflada. Fé no dinheiro, no sucesso do negócio, no mau olhado, porque já se sabe: Se em certas terras o que se planta, nasce, aqui em Juazeiro o que se implanta, cresce. Por que?&lt;br /&gt;Teria que responder àqueles adjetivos que se perfilam sobre o Padre Cícero e passaríamos horas. Alguma dúvida?&lt;br /&gt;Há alguém que perdurou seu nome por mais de um século quanto à sua vida, à sua luta e à sua particular santidade? Não há uma igualdade quanto a isso, por mais que vasculhemos a história do Brasil e do Mundo, e por mais que queiramos assemelhar, encontramos poucos, assim, nessa vertente, nesses ângulos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-1191973324049814721?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/1191973324049814721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=1191973324049814721' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1191973324049814721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1191973324049814721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2009/03/um-olho-outro-olho.html' title='UM OLHO, OUTRO OLHO'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/ScZoGvSPPyI/AAAAAAAAAJs/cW5Q-HAFozA/s72-c/Olhos+do+Pe.+Cicero.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-7950045241935492393</id><published>2008-12-24T06:59:00.000-08:00</published><updated>2008-12-24T07:19:02.865-08:00</updated><title type='text'>O PASSADO NUNCA MAIS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SVJS2qAMQOI/AAAAAAAAAI0/cYykFv_m5oY/s1600-h/Casa+1040.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283376411800518882" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 262px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SVJS2qAMQOI/AAAAAAAAAI0/cYykFv_m5oY/s320/Casa+1040.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“No presente a mente, o corpo é diferente&lt;br /&gt;E o passado é uma roupa que não nos serve mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Poe, poeta louco americano,&lt;br /&gt;Eu pergunto ao passarinho: "Blackbird, o que se faz?"&lt;br /&gt;Raven never raven never raven&lt;br /&gt;Blackbird me responde:&lt;br /&gt;Tudo já ficou atrás&lt;br /&gt;Raven never raven never raven&lt;br /&gt;Assum-preto me responde&lt;br /&gt;O passado nunca mais.”&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Velha Roupa Colorida, Belchior&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2008, Natal, final de ano e uma recordação. De tantas idas para o centro da cidade, muitas vezes evito passar pela Rua São José, entre as da Carlos Gomes e a Padre Pedro Ribeiro. Nesse trecho está, ainda, a casa 1040, com a sua segunda fachada. Foi lá onde nasci, juntamente com meus onze irmãos, mas somente quatro vivos. E, então, não podendo evitar, passei por lá esses dias e a porta estava aberta, como à minha espera, à minha passagem. Parei o carro quase que automaticamente e me veio a idéia de tirar umas fotos, sabe-se lá se os novos donos não resolvam por abaixo o que ainda resta de lembranças? Nostalgicamente perfilei-me frente a ela e aos borbotões vieram as lembranças mais que longínquas e fincadas na minha mente. Primeiro a de meu avô, pai de meu pai, numa lembrança apagada, sofrível, vendo-o doente, mas sem a presença do rosto e nunca cheguei a vê-lo, pois sequer havia uma foto dele. Depois, as dos vós maternos, que alias viviam num casarão próximo, o de nº 1085. Lembrei-me bem das janelas e portas enormes, uma calçada assoberbada e única do lugar. O pai de minha mãe lhe deu a da 1040 como presente de casamento. Mestre Duda, senhor dos sapateiros, grande mestre das alpargatas, chinelos de couro, tamancos. Se naquela época media-se o homem pela posse de casas e terrenos, ele era um dos mais opulentos. Quarteirões e mais quarteirões. Os seus produtos eram feitos com qualidade, com maestria, por isso a alcunha de Mestre Duda. Naquela época tudo o que se fazia era por amor à profissão. Analfabeto, lembrei-me que lhe ensinei as primeiras letras do alfabeto, ia deixar-lhe o chá no “capim”, lugar aonde ele ia todas as manhãs ver suas terras, um local reservado a uma lavanderia, com um enorme cacimbão, em que as mulheres iam lavar roupas. Não me lembro se ele aprendeu, porque logo o mal de Alzheimer paginou-lhe em branco as suas memórias. Já era tarde.&lt;br /&gt;Voltando à casa inicial, vejo meu pai e minha mãe. Vejo Joaquim e Dezinha passando-nos lições de vida, orando fervorosamente por nós e conosco. Tudo que envolvia os dois era equilibrado pela fé nos santos e no Deus misericordioso. Vi um tempo de sacrifícios, da água que ainda não era encanada, da fachada da casa que era de taipa, das orações de joelhos de toda as noites, da espera agoniada pelas sextas-feiras ao pé do rádio à válvulas, para ouvir “A hora do mistério”, programa da Rádio Progresso. Um programa de contos misteriosos, assombrados. A partir dessa época ficou em minha mente o gosto pelos contos, pelas narrativas, pela oralidade popular. Vi uma época de vacas magras, de meu pai saindo da Indústria de Rádio (eletromáquinas), sendo o último de uma indústria falida. Vi-o consertando rádios e televisores, recondicionando motores, sendo ministro da Eucaristia, da Ordem Terceira Franciscana, a morrer de um infarto do miocárdio. Junto com ele e inseparável, minha mãe, professora de corte e costura, dona de casa de mãos fortes, de uma presença de espírito formidável, embora com um gênio desmedido. Vi-a ensinando cartas de ABC e Catecismo a milhares de crianças durante toda a sua vida. Via-a sentada na porta da cozinha cozendo, lendo orações, tricoteando, nos ensinando pontos de tricô, a cantar benditos, a afagar os gatos no colo, a dar ordens, a nos ver da cabeça aos pés, a nos vestir depois do banho e deixar-nos na calçada para ver o mundo; vi nossa mãe a clamar para nosso pai a nos bater por uma peraltice qualquer. Ouvia-a falar frases que só a ela era peculiar, ditados vários que um dia irei apregoá-los em meus escritos: “só que ser os tamancos de Roque”, “um calor dos seiscentos cravinotes”, “tai, mané, teu tio?”, “não tem nem no cu o que o canário coma”, “enxerido sem lenço”, e vários outros. Vi-a, aos poucos os seus cabelos embranquecendo, suas rugas aumentando e a memória se perdendo nos labirintos do cérebro. Hoje vive em Aurora, sem memória, sem porvir.&lt;br /&gt;Olhando rapidamente para a rua, agora estendida e ladeadas de casas bonitas e atualizadas, enxerguei o lugar da casa de “D. Maria do Caréu”, uma mulher que tão bem sabia costurar, e que tinha no gogó um enorme caroço, que muitas vezes quando ela falava com sua voz rouca, me dava sustos. Não sabia que a mesma tinha uma doença já avançada: a da tireóide. Indo mais devagar, vejo a esquina, onde no bar dois homens se encontravam diariamente para bebidas e prazeres: Marcondes e Tico Bacorim. Bebiam pelo prazer, e sempre estavam arrodeados de meninos e gente simples. Pagavam bombons, guloseimas. Um dia, um homem comeu duas barras de doce de goiaba em poucos segundos, e isso fez com que os dois, divertindo-se com as bebidas viram ali uma forma de deliciar-se com as cervejas, tanto quanto pelo teatro: pagavam para rir e divertir-se. Inventaram corridas, competições entre os meninos. Rabiscavam com carvão os números de cada atleta, e aquele que chegasse primeiro a dar a volta no quarteirão ganhava uns trocados. Meu irmão Adailton Mendes, ganhava todas as corridas e dava o dinheiro à nossa mãe. Também ele plantava bananeiras, a dar voltas no quarteirão sem pôr os pés no chão. O passado nunca mais.&lt;br /&gt;Tentei, quase que em vão, apesar do resguardo no canto da memória de tudo isso, ver a nós todos, irmãos e família. A casa arqueja, somente com a fachada e os escombros. Um cenário que se avulta aos meus olhos e me transporta para longe. O passado nunca mais voltará, é triste pensar assim, mas a verdade me bate nos sentidos com um sopro incomum. Qual o sentimento, ao ver o lugar, o chão, as paredes (o teto não existe mais), os fantasmas ziguezaguearem pelos escombros, pisarem um solo “sagrado” para nós os Franças e os Mendes. Fantasmas que me suplicam que jamais os esqueçam, apesar dos anos, da lida, de outras vidas alheias e que nos faz naufragar no tempo e no espaço afastados dessas lembranças que lacrimejam os olhos e a alma. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-7950045241935492393?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/7950045241935492393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=7950045241935492393' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/7950045241935492393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/7950045241935492393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/12/o-passado-nunca-mais.html' title='O PASSADO NUNCA MAIS'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SVJS2qAMQOI/AAAAAAAAAI0/cYykFv_m5oY/s72-c/Casa+1040.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-5879279083980869329</id><published>2008-11-18T16:10:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T16:13:46.252-08:00</updated><title type='text'>ENCANTADO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SSNaGGZa3pI/AAAAAAAAAIs/1EV9CPMjB4k/s1600-h/IMG0047A.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270155049796558482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SSNaGGZa3pI/AAAAAAAAAIs/1EV9CPMjB4k/s320/IMG0047A.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SSNZ9V4dokI/AAAAAAAAAIk/gB3Ge1xc5Mw/s1600-h/IMG00t.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Seguindo pelo rumo do sertão, ladeado pelos farfalhar das asas da arribação e do carcará, esta semana fui a estes sabores. Ao longo desta crônica serei enfático, repetitivo, porque encantado fiquei com o lugar. Minhas retinas, ainda não tão fatigadas, se encheram de pedras, de monólitos e de um fragor de cinza que muito delas não há de saírem. Também convoco minh´alma para saborear desse enlevo e com a minha carcaça e todos os outros sentidos também se deliciarem. Se o mar é tão maravilhoso aos olhos, essa paisagem é encantador a eles.&lt;br /&gt;Na tentativa de entrevistar pessoas do setor de saúde, em Quixeramobim, fiquei com gosto na boca e de inveja por não ter que todos os dias por essa paisagem passar. Tudo que envolve os monólitos, envolve também o lugar, as gentes, os bichos, os pássaros, a imensidão do céu.&lt;br /&gt;Encantado é um lugar petrificadamente encantado. Se há lugar semelhante eu não conheço. Passamos no roçar das rochas únicas, indelicadamente imóveis, fixamente invariáveis e apaixonadamente soberbas. Os caminhos que levam o menor dos seres àquele lugar são tortuosos, porém majestosos. Caminhos onde os galhos secos inclinam-se sobre as pessoas na iminência de abraçá-las, de segurá-las e dizer-lhes: bem-vindos. São galhos, pela época, que lógico ficarão verdes, que parecerem se mover, como aqueles filmes de terror, de braços esguios, balançando-se na passagem e quase a nos seguir. Não tem cores, como no arco-íris, mas tem cor única e que nos diz de prontidão quão maravilhoso é tudo ao redor. Fala-nos a cada curva, a cada roçar de galhos, e na proporção que as rochas se aproximam, lentamente, elas vão nos dando a certeza plena e absoluta de que somos seres pequenos e indefesos. A monstruosidade das rochas nos fala que devemos ser humildes e coerentes conosco e com quem nos cercam. Diz-nos que não precisamos e nem devemos fechar os olhos ao cenário incólume da sua formação e nem passarmos despercebidos à grandiosidade da natureza. Ah! Mas como passar por ali sem avistar tamanha grandeza, mesmo os cegos enxergariam, não a luminosidade, mas o sabor dos ventos temperados vindo delas.&lt;br /&gt;Encantado, quem pôs esse nome ao lugar foi feliz em assim fazê-lo. Como foi interessante a idéia de se usar uma das dezenas de rochas, como um abrigo para a reunião de pessoas em torno de uma bebida e de encontros. Usou-se as duas naturezas: a da inércia dos monólitos e a vanguarda da mente humana. Não colocaria aqui a questão ecológica, mas a preservação do lugar, sim.&lt;br /&gt;Encantado fiquei e tentarei sentir mais vezes, mesmo nessa minha crônica, como nas imagens ou de longe, o sabor de que as rochas não são apenas rochas, mas uma delicadeza de um dedo indubitavelmente poderoso que ali pôs em cada palmo, em cada molde.&lt;br /&gt;Que o povo do lugar e aqueles que ali visitam e passam e ficam, levem consigo a certeza de que Deus existe e nós temos apenas que reverenciar e sentir de perto a sua imensa grandeza. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-5879279083980869329?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/5879279083980869329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=5879279083980869329' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5879279083980869329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5879279083980869329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/11/encantado.html' title='ENCANTADO'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SSNaGGZa3pI/AAAAAAAAAIs/1EV9CPMjB4k/s72-c/IMG0047A.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-3476748323659653504</id><published>2008-11-03T10:05:00.000-08:00</published><updated>2008-11-03T12:24:15.039-08:00</updated><title type='text'>FINADOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SQ9d3uAULhI/AAAAAAAAAIc/_F82d2Lg-Qc/s1600-h/blog1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264529701242940946" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 214px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SQ9d3uAULhI/AAAAAAAAAIc/_F82d2Lg-Qc/s320/blog1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SQ8-iQXMVOI/AAAAAAAAAIU/5e57CII-_lo/s1600-h/PAUDE+ARARA.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264495247648117986" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SQ8-iQXMVOI/AAAAAAAAAIU/5e57CII-_lo/s320/PAUDE+ARARA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se há uma cidade peculiar para FINADOS, chama-se Juazeiro do Norte, terra do Padre Cícero e de tantos outros cíceros atuais e vindouros. O sol de início de novembro castiga todos os vivos e esquece todos os mortos. Os vivos que peregrinam pelas terras santas, agora refletem na alma o gosto agridoce na reverência aos seus mortos, aos seus entes queridos, ao passado imorredouro.&lt;br /&gt;Que sol é esse que castiga, que maltrata, que faz com que os vivos busquem água, como se estivéssemos num deserto, enquanto que sob chapéus de palhas e pelos dedos que debulham os rosários se tem a impressão de que o fim do mundo está próximo? São nessas horas que se passa pelas nossas cabeças a idéia de fim de mundo, ou da certeza plena que outros Finados virão e que faremos parte de uma nostalgia comemorativa.&lt;br /&gt;Sempre nessa época vejo a cara da nossa cidade com tantas outras que vêm em busca da “salvação”, da terra prometida em tempos de se clamar pelos que já se foram, como se nós nunca lá chegássemos. Vejo, pela periferia dos olhos um cenário de sol, castigo e muitos benditos. Mas, incrivelmente, vejo um amontoado de comércio que busca sobrevivência nas lágrimas dos outros. São miçangas, rosários, santos, redes, correntes, indumentárias, tudo que leva a crer que mortos nenhuns se beneficiariam com tais comercializações. E onde se encontra a verdadeira devoção pelos mortos?&lt;br /&gt;Negócios à parte, é um mar de gente vindo de todo o Nordeste, em todos os veículos imagináveis, confortáveis e desconfortáveis. São cabeças e sentenças que pisoteiam o chão do Cariri numa busca incessante da redenção. Vendo, assim do alto, não se distingue quem é quem na multidão, mas se sabe que o romeiro tem sua peculiaridade: os trajes, os olhares de ansiedade, os gestos, a fila indiana. Sabemos o que ele busca, e a temeridade que se tem, é que talvez custe ainda em encontrar. Os tempos mudaram, os ares são outros, a cidade é a mesma, mas as pessoas mergulharam num mar de vanguarda que o sacro anda ao longe. Salva-se, ainda, o pau-de-arara, aquele carro antigo e suas carrancas, e as indumentárias religiosas pintalgadas aqui e ali. Salva-se a fé, embora ainda encontrem uns benditos perdidos entre uma miçanga e um copo d´água. Falta nesse tempo de finados um quê de chamar a atenção de quem morreu e deixou seu marco fincado nessa terra de homens, santos e pecadores. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-3476748323659653504?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/3476748323659653504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=3476748323659653504' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/3476748323659653504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/3476748323659653504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/11/finados.html' title='FINADOS'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SQ9d3uAULhI/AAAAAAAAAIc/_F82d2Lg-Qc/s72-c/blog1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-6549355027189434928</id><published>2008-10-22T15:46:00.000-07:00</published><updated>2008-10-22T16:14:14.807-07:00</updated><title type='text'>UM HOMEM, UMA TORRE E UMA BICICLETA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SP-wfN0JcKI/AAAAAAAAAFM/nT0KR-qEKAg/s1600-h/SUICIDIO.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260116940122845346" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SP-wfN0JcKI/AAAAAAAAAFM/nT0KR-qEKAg/s320/SUICIDIO.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma torre, um homem desesperado, uma multidão de gente ansiosa para o desfecho final.&lt;br /&gt;O tempo era a tarde, de calor sufocante, a rua mais movimentada da cidade, a torre de telecomunicação, o homem e uma bicicleta. Tudo comum, num tempo comum, onde os carros que passavam apenas deixavam ar quente, asfalto soltando poeira e fragmentos de pneus. Transeuntes que iam e vinham num percurso já há muito conhecido e necessário, numa busca incessante pelo comércio, pela necessidade diária. Os vizinhos são quase que totalmente consultórios médicos, com quase todas as especialidades existentes na área de medicina.&lt;br /&gt;A rua enorme, que corta praticamente toda a cidade. Uma rua que nasceu grande, onde por ela deságuam todos os veículos, todas as pessoas, todos os movimentos, todas as passeatas, todos os políticos, todas as reivindicações, todos os monóxidos de carbono. Por ela se vai, apenas se vai, como estava indo aquele homem do começo da narrativa, com sua fragilidade mental, seus problemas, sua vontade contida e suas preocupações.&lt;br /&gt;Num gesto lento, mas firme, sobe na vida através da escada que dá acesso à torre, aos poucos, lento, resoluto. O que passa na sua cabeça, senão problemas, fraqueza de espírito, resolução desenfreada, malquerença, idiossincrasia? Só ele sabe, e sobe, disposto a dar seu grito de liberdade ou de chamada de atenção, sem medo, sem nada amais. E chama a atenção sim, em pleno pulmão da cidade de Juazeiro do Norte, numa tarde de outubro, de calor sufocante, de quase fim de ano.&lt;br /&gt;Num instante, se interdita a rua, o clima arrulha-se e ninguém mais quer trabalhar. Todos os olhos se voltam para cima, e quem chega aos atropelos aos poucos fica sabendo, e se compenetram ou se riem, acha-se engraçado. Ruas paralelas tornam-se importantes, moços e moças riem, senhores e senhoras se perguntam, indagam aos que passam, pasmam-se. Máquinas fotográficas, câmaras de televisão, reportagens, sirenes do corpo de bombeiro, polícias, olhos e mais olhos, o homem quer se atirar da torre.&lt;br /&gt;O mar de gente se revolta, se renova, se impregna no asfalto, e os olhos não saem do alto. Pula ou não pula, muitos clamam, muitos querem ver o trágico, outros acham terrível a cena, os carros são desviados, as topics enfurecidas, perda de tempo e de dinheiro por causa de um “maluco”.&lt;br /&gt;O corpo de bombeiro imita o homem, sobe resoluto, firme, mas com outro propósito: tentar mergulhar na mente do pseudo-suicida para aliviar a dor e fazê-lo desistir do intento. Enquanto isso, lá embaixo, na negritude do asfalto e das cabeças das pessoas, o cenário está formado: um homem que ameaça suicidar-se, bombeiros que apelam para a vida, um povo dividido entre “pula, pula e vaias” e outros com corações contritos. O pano de fundo: uma rua que já desfilaram tantas alegrias, tantos sonhos, tantas vidas, casas antigas e renovadas, árvores simbólicas e o pior, um grito de suicídio coletivo, numa enxurrada de vontades revoltantes.&lt;br /&gt;No final das contas, o homem não pulou, para alívio de muitos, e o cenário não se avermelhou do sangue que seria jorrado na história da cidade e nas mentes dos ávidos. Faltou um complemento para se fechar a cena, pontilhada nas primeiras linhas acima: a bicicleta. O homem teve a precaução, antes de subir à torre, de amarrar a bicicleta no pé da mesma, anunciando que não iria pular. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-6549355027189434928?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/6549355027189434928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=6549355027189434928' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/6549355027189434928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/6549355027189434928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/10/um-homem-uma-torre-e-uma-bicicleta.html' title='UM HOMEM, UMA TORRE E UMA BICICLETA'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SP-wfN0JcKI/AAAAAAAAAFM/nT0KR-qEKAg/s72-c/SUICIDIO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-2771216899201143667</id><published>2008-10-08T15:51:00.000-07:00</published><updated>2008-10-08T16:06:39.840-07:00</updated><title type='text'>OUTUBRO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SO07sZkYbeI/AAAAAAAAAFE/ZzrOZsWh8T8/s1600-h/Olinda_outubro07.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254921974175002082" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SO07sZkYbeI/AAAAAAAAAFE/ZzrOZsWh8T8/s320/Olinda_outubro07.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tanta gente no meu rumo&lt;br /&gt;Mas eu sempre vou só&lt;br /&gt;Nessa terra desse jeito&lt;br /&gt;Já não sei viver&lt;br /&gt;Deixo tudo deixo nada&lt;br /&gt;Só do tempo eu não posso me livrar&lt;br /&gt;E ele corre para ter meu dia de morrer&lt;br /&gt;Mas se eu tiro do lamento um novo canto&lt;br /&gt;Outra vida vai nascer&lt;br /&gt;Vou achar um novo amor&lt;br /&gt;Vou morrer só quando for&lt;br /&gt;E jogar no meu braço no mundo&lt;br /&gt;Fazer meu outubro de homem&lt;br /&gt;Matar com amor essa dor&lt;br /&gt;Vou&lt;br /&gt;Fazer desse chão minha vida&lt;br /&gt;Meu peito é que era deserto&lt;br /&gt;O mundo já era assim&lt;br /&gt;Tanta gente no meu rumo&lt;br /&gt;Já não sei viver só&lt;br /&gt;Foi um dia e é sem jeito&lt;br /&gt;Que eu vou contar&lt;br /&gt;Certa moça me falando alegria&lt;br /&gt;De repente ressurgiu&lt;br /&gt;Minha história está contada&lt;br /&gt;Vou me despedir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Outubro, Milton Nascimento&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estou sob uma frondosa árvore num lugar neutro, no meio do nada, a espera do ônibus. O lugarejo é Mineirolândia, município da cidade de Pedra Branca/CE. O ônibus que espero não é aquele costumeiro.&lt;br /&gt;Meio dia e meia, sol escaldante de início de Outubro, uma solidão, mil pensamentos. Sentado num banco de praça, o suor a brilhar na testa, os olhos a amiudar-se pela impetuosidade da luz solar. E dali, avisto um comércio e na porta dele uma mulher. Meu coração não bate forte, mas meus lábios se abrem num sorriso que só eles sabem por que. Cinco anos se passaram ou talvez mais, muito mais. Do lugar não saio, não tenho coragem por várias razões: uma delas a minha atual situação e outra o sol não deixa: o calor insuportável. Penso como a vida é engraçada, como o mundo é pequeno, como tudo isso se mostra para o ser humano da forma mais simples, incontestável.&lt;br /&gt;A moça não me vê, e de longe tento enxergar no seu semblante, como num zoom óptico, nas lâminas dos seus olhos o meu, ou o nosso passado. Revê-la não me traz exuberância de sentidos, mas a sensação pequena de que o ser humano não é nada, visto que o tempo é tudo, pois brinca com todos, faz loucura, e ri, ri muito de todos nós.&lt;br /&gt;Certo dia, a espera desse mesmo ônibus, nesse tempo que já expus, ouvi alguém me chamar. Quando a vi, ela sorriu e perguntou-me se eu estava perdido. Certamente estava, de qualquer forma, embora soubesse do lugar.&lt;br /&gt;Matamos a saudade, falamos do nosso passado, dos dias que nos conhecemos, do amor fortuito que fizemos por uma única vez, e em condições atropeladas. Rimos de nós mesmos, do encontro e desencontro, para chegarmos ali, depois de muito tempo, perdidos. Ela tinha me dito que saíra da cidade natal por outras questões, ex-marido e ali tinha encontrado um novo amor. Olhando ao redor, lembrei-me da época, encontrar um novo amor naquele lugar poderia ser um marco triunfante. Mas, encontra-se um novo amor em qualquer lugar, até mesmo num velório (não com o morto, claro), mas quem sabe com o viúvo ou a viúva. Despedimo-nos com a nossa história: a dela que se cruzou com a minha em poucos dias e a minha que se cruzou com a dela na mesma proporção.&lt;br /&gt;Agora ali, vendo-a de longe, recordo tudo isso. Talvez ela estivesse casada com o amor da sua vida, talvez, sem muitas mudanças. E quanto a mim, bom, muita coisa mudou.&lt;br /&gt;Vendo a música de Milton Nascimento acima, OUTUBRO: bela canção, em alguns trechos caem bem para mim, ou talvez caiam bem para ela e, talvez, muito mais para vocês.&lt;br /&gt;O ônibus aponta na curva. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-2771216899201143667?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/2771216899201143667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=2771216899201143667' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/2771216899201143667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/2771216899201143667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/10/outubro.html' title='OUTUBRO'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SO07sZkYbeI/AAAAAAAAAFE/ZzrOZsWh8T8/s72-c/Olinda_outubro07.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-5250313338611344906</id><published>2008-09-13T12:30:00.000-07:00</published><updated>2008-09-13T12:37:50.145-07:00</updated><title type='text'>MALEDICÊNCIA, NECESSIDADE OU NÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SMwVNF0kYyI/AAAAAAAAAE8/ll2ZIrrX0DM/s1600-h/Fofoca.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5245590980624933666" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SMwVNF0kYyI/AAAAAAAAAE8/ll2ZIrrX0DM/s320/Fofoca.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Antes de falar – manda o bom senso – tende o cuidado de examinar se aquilo que ides dizer satisfaz a estes três requisitos: ser verdadeiro, agradável e animador; do contrário, deixai-vos ficar calado.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Na última crônica, falei sobre “sueño com serpientes”, e por incrível que pareça, estava sentindo algo no ar. E agora, nessa semana, observo um título um pouco mais interrogativo e coberto de uma camada de pessimismo que sei onde foi parar. Nessas linhas emparelhadas e nas entrelinhas deverá haver uma dor pungente, entrecortada por um gosto amargo na boca, pensamentos tempestuosos que não conseguem deixar de vir à tona, muitas e muitas vezes.&lt;br /&gt;Devo, é bem verdade, deixar no ar várias perguntas, talvez sem respostas, ou com elas de bate pronto, mas sem deixar cair a sutileza. Quem não é maledicente? Eu, que vos escrevo, que busco entre as palavras saídas para o meu desabafo, a saber se você gosta ou não do que escrevo, do que tento passar como mensagem, quando você ainda está no trabalho, e na folga das horas, entra no blog para saber algo mais? Você que sente no companheiro de trabalho que ele(a) lhe olha com outros olhos, não os de paixão, mas os de inveja, de raiva? Você que tem um(a) companheira(a) que nunca desconfiaria de nada, de que a pessoa nunca lhe trairia, seja de que maneira for? Você que se olha no espelho por mais de uma hora, com a tenaz desconfiança de que o vestido não lhe cai bem, a saia, o short, os óculos, os cílios, o batom ou até mesmo o perfume? Você que enxerga no próximo uma coisinha a mais em que ele deve estar mentindo, se saindo com palavras vazias, evasivas, sem fortaleza, sem vida? Quem não é maledicente quando o que nos aparece deixa rastros de coisas que nos faz desconfiar?&lt;br /&gt;Somos maledicentes por estas e outras tantas razões. Querem ver, vejamos: somos, primeiramente egoístas e prontos para viver de uma forma individual, e que estamos em família por pura necessidade, e tantas vezes queremos ficar a sós. Às vezes temos medo da solidão por ela ter uma malícia que nos come sorrateiramente, pois ela carrega no todo um invisível dragão; temos a pura necessidade de estarmos em companhia de alguém por uma questão de sobrevivência (muitos não conseguem sobreviver sem uma companhia, por mais que ela lhe diga tantas vezes “não”); a pura maledicência está na mulher por ela desconfiar até no que veste, daí a razão de uma hora na frente do espelho para apenas colocar um vestido e uma pulseira (tudo tem que combinar), e a combinação das mulheres tem que ser em tudo.&lt;br /&gt;Somos reais maliciosos, porque a malícia nos chama, custe o que custar, não importa o dia e nem a hora, mas ela sempre está nos nossos calcanhares.&lt;br /&gt;No dia a dia, desconfiamos de tudo e até da própria desconfiança. Se nos passam um troco a mais ou a menos; se alguém lhe diz obrigado, ou lhe joga um sorriso, ou lhe chama de querido. Está por trás de tudo a malícia dos dias de hoje, porque o ser humano é um bicho de sete cabeças, um lunático, de outro mundo e coberto de indecisões, de malquerença, de desrespeito, de covardia. E esses problemas não estão longe de nós, mas bem perto, muito perto.&lt;br /&gt;Mas, infelizmente, temos que viver com tudo isso, até não sei quando. Temos que matar um leão por dia ou toda uma selva selvagem para chegarmos doutro lado são e salvos, com ou sem maledicência, imaculados ou pecaminosos, anjos ou demônios.&lt;br /&gt;Gostaria, nessa semana, passar um adocicado gosto nas palavras, mas não dá, não estou com jeito para isso, porque minh´alma tenta voltar ao seu sonho de ouro de uma forma ou de outra, pois o meu corpo a sacode hora a hora para alertá-la de que o perigo ainda não passou e o mal pode estar por vir, a galopar nas asas da graúna, preta de maledicência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-5250313338611344906?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/5250313338611344906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=5250313338611344906' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5250313338611344906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5250313338611344906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/09/maledicncia-necessidade-ou-no.html' title='MALEDICÊNCIA, NECESSIDADE OU NÃO'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SMwVNF0kYyI/AAAAAAAAAE8/ll2ZIrrX0DM/s72-c/Fofoca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-1942521277440991568</id><published>2008-09-11T05:41:00.000-07:00</published><updated>2008-09-11T05:48:45.210-07:00</updated><title type='text'>SUEÑO CON SERPIENTES</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SMkTj4NSXwI/AAAAAAAAAEw/T1CvlxN1l8I/s1600-h/serpentes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244744748154117890" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SMkTj4NSXwI/AAAAAAAAAEw/T1CvlxN1l8I/s320/serpentes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;(...)&lt;br /&gt;Esta al fin me engulle&lt;br /&gt;Y mientras por su esofago paseo&lt;br /&gt;Voy pensando en que vendra&lt;br /&gt;Pero se destruye&lt;br /&gt;Cuando llego a su estomago&lt;br /&gt;Y planteo con un verso&lt;br /&gt;Una verdad&lt;br /&gt;(Milton Nascimento e Mercedes Sosa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhar com serpentes tem sido tantos ultimamente. Parte de uma música de grandes vozes da América Latina me cai bem nesses últimos dias. Não parto da idéia antiga de um faquir, em engolir espadas, ou de um encantador de serpentes indiano. Faço das letras latinas para, ao som de um baixo que enche a alma, refletir sobre serpentes. Engoli-las, deixando passá-las pelo esôfago e no estômago deixar que elas se aninhem. Evacuá-las seria o natural, mas não. Há uma verdade nisso tudo, uma verdade de chamar a atenção desses sonhos terríveis, mas real. A verdade está nas serpentes, nos dias nebulosos, das conversas de cortar os outros, da mesmice repetitiva, fortemente reverente.&lt;br /&gt;Sonho nº 01: serpentes envolvidas nos pescoços das vítimas, estas que acham que o mundo tem saída, uma vez de tantas catástrofes, de gelos tornando-se água, de animais sendo extintos;&lt;br /&gt;Sonho nº 02: dentro das urnas e fora delas, serpentes das mais variadas, de línguas bifurcadas, terríveis e intrigantes;&lt;br /&gt;Sonho nº 03: serpentes com línguas tiranas, vinda das mulheres, que serpenteiam pelas calçadas, pelos caminhos mais tortuosos e estão dentro de casa.&lt;br /&gt;De todos os sonhos, vale ressaltar versos para amenizar esses temas tão frívolos, audazes, intolerantes. Estamos sempre cercados por pessoas que cortam os outros, que não param de falar dos outros, de incomodar-se com a vida dos outros, mas as catástrofes nem tanto. O pesadelo é bem mais distante, embora quero mostrar que ela de vez por outra acontece, em pequena escala, é verdade.&lt;br /&gt;Aquele segundo nos mostra, não poeticamente, mas em prosa, de que essas serpentes sempre estão vivas, sorrateiras, num indo e vindo em busca de botes, de presas, de sangue.&lt;br /&gt;O terceiro faz parte da gente, de um dia a dia em que quem tem a mulher ao lado, lambe-se nas suas escamas, e nunca a deixa.&lt;br /&gt;Sueño com serpientes, num espanhol cantado a duas vozes enche-me a alma, acompanhado de um baixo fabuloso, penetra nos meus tímpanos, mas me dá uma conotação de desabafo nesses dias difíceis.&lt;br /&gt;Serpentes se tem por todos os lados, até por dentro, e temos que engoli-las, infelizmente, a gosto e a contra gosto, mas um dia, quem sabe, teremos que evacuá-las, até porque poderão incomodar, maltratar, desumanizar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-1942521277440991568?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/1942521277440991568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=1942521277440991568' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1942521277440991568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1942521277440991568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/09/sueo-con-serpientes.html' title='SUEÑO CON SERPIENTES'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SMkTj4NSXwI/AAAAAAAAAEw/T1CvlxN1l8I/s72-c/serpentes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-5048298045547362637</id><published>2008-08-30T06:30:00.000-07:00</published><updated>2008-08-30T07:08:02.402-07:00</updated><title type='text'>UM CORPO ESTENDIDO NO CHÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SLlMDjUvxOI/AAAAAAAAAEQ/8lgS3ttNNhE/s1600-h/BEBADO.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5240303265327858914" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SLlMDjUvxOI/AAAAAAAAAEQ/8lgS3ttNNhE/s320/BEBADO.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sábado, manhã de verão. Uma calçada, uma sombra, brisa fresca: um corpo estendido no chão. Parece poesia, mas o corpo estendido no chão está ali a um passo, a um gesto de todos que passam pela rua. Incrível como chama a atenção de todo mundo e todo mundo passa de raspão. Não é da família, mas todos olham, comentam, uns sentem repúdio, outros pena. São dezenas de pessoas que passam e não fazem nada, porque fazer implica em ser co-autor. Co-autor de um cenário, onde o corpo que está ao chão, não se sabe dormindo ou morto. É um corpo qualquer, um bêbado, um desequilibrado, um ente a mais à distância da multidão. Todos olham, quem passa, mas sequer param. Comentam, riem, sérios, passam. Um carro de som passa com propagandas políticas, mas o corpo ainda inerte. Mãos postas sobre o peito, naquele gesto mórbido. Talvez o caixão seja a própria calçada, os passantes a vida, o som os sonhos, os olhos semicerrados: inércia.&lt;br /&gt;Um passa e pergunta: “esse cara aqui, quem é.” Outro responde: “quem sabe?” O primeiro instiga: “que ressaca, que porre.”&lt;br /&gt;Fica por isso mesmo, se vai. Agora passam vendedores ambulantes, meninos aos gritos, e o homem não se dá conta. Mas uma mulher quebra a regra: pára, olha, olha, pensa, coça a cabeça, dura uma eternidade para as convenções normais, parece querer fazer algo, talvez querendo saber quem é, quem sabe um conhecido, a jurar tê-lo visto em algum lugar... Desiste, não o conhece, segue seu caminho, mas ainda olha para trás, coça a cabeça.&lt;br /&gt;Sol castiga, alto, mas não o atinge, ele está sob uma marquise. Parece que na noite anterior, sabia que dormiria ali e o sol não o incomodaria. Bêbado inteligente.... Bêbado? Todos pensam assim, muitos pensam assim, muitos repudiam assim, tantos escarneiam assim. Mulheres passam, fingem não ver, olham de soslaio, e os olhos sem querer buscam outras partes: mais que inertes. Ele, deitado, está sem camisas, os chinelos abandonados em desordem. Agora, se vira, se emborca. Está vivo. A sujeira da calçada traça-lhe um mapa nas costas, nas pernas, nos braços. O solado do pé tem negritude do chão.&lt;br /&gt;O mundo em volta corre, a o vento sopra, as horas passam, e o homem dorme. Os políticos traçam seus planos, as pessoas buscam suas vidas, suas labutas, o seu quotidiano. Mas o homem não, sequer sabe onde está, decerto. Mais que uma preocupação, não imagina nada, não se lembra de nada, não se importa com os olhares e os comentários. Logo estará bom, e certamente se erguerá, as mãos e os pés serão seus sustentos e as paredes também. Deverá pensar em nunca mais beber, pois a ressaca lhe fustiga as entranhas, arranca-lhe os miolos da cabeça em dores... Jamais porá um gole de cachaça na boca.&lt;br /&gt;Isso pensa o autor, mas o corpo que se ergue, que tateia com as mãos as paredes, que anda trôpego, lá na esquina, ao invés de seguir seu curso ao dobrá-la, entra na venda. Certamente sabe que ali não é sua casa, mas outro refúgio. A cachaça e a ressaca são suas adoráveis companheiras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-5048298045547362637?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/5048298045547362637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=5048298045547362637' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5048298045547362637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5048298045547362637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/08/um-corpo-estendido-no-cho.html' title='UM CORPO ESTENDIDO NO CHÃO'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SLlMDjUvxOI/AAAAAAAAAEQ/8lgS3ttNNhE/s72-c/BEBADO.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-5775032690492317753</id><published>2008-08-16T13:41:00.000-07:00</published><updated>2008-08-16T13:46:13.486-07:00</updated><title type='text'>CANTAR, CANTAR</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SKc8hwALnuI/AAAAAAAAAEI/iDF4IrI3dOs/s1600-h/CANTORA.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235219642360504034" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SKc8hwALnuI/AAAAAAAAAEI/iDF4IrI3dOs/s320/CANTORA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aprimorar a voz, temperar a garganta, amiudar os olhos, soltar o som. Parecem ações comuns, de pessoas comuns, mas não o é. Sentada ao meu lado, então, nessa semana, uma cantora. Tem seus cabelos louros, olhos azuis à La lentes, e na mente um gosto adocicado pela música. No primeiro instante, para mim, uma mulher igual a tantas, para depois saber dos seus ideais. Claro que todos nós temos um ideal, temos algo a perseguir para podermos validar a sombra do sol, mas destaco mais uma pessoa nesta busca incessante pelo futuro. Hoje ela é cantora de uma banda de forró há pelo menos dois meses, mora em Fortaleza, saída do Crato em busca de sucesso e do que mais gosta de fazer: cantar.&lt;br /&gt;Cantar, cantar, não como uma cigarra do conto de La Fontaine, pois a busca do perfeito está no trabalho também, mas como uma idealista na voz rouca.&lt;br /&gt;Volto, então, a imaginar, naquelas tantas pessoas ali que têm seus ideais, num indo e vindo semanal e que ora conseguem, ora desistem, ora riem, ora choram. São tantas, como cigarras e formigas, como lutadoras e desbravadoras.&lt;br /&gt;A cantora da banda de forró, nos seus poucos anos, nos seus gestos naturais, no seu jeito simples, ver-se ali, numa poltrona de ônibus, quem sabe, como um momento de antecâmara, antevendo o futuro, falando do seu amor pelo canto, da sua experiência pouca, mas com muita fortaleza de espírito. Quem sabe, e talvez demore muito, vê-la novamente agora com enorme sucesso como cantora de uma grande banda, distribuindo simpatia e poesia no seu canto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-5775032690492317753?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/5775032690492317753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=5775032690492317753' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5775032690492317753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5775032690492317753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/08/cantar-cantar.html' title='CANTAR, CANTAR'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SKc8hwALnuI/AAAAAAAAAEI/iDF4IrI3dOs/s72-c/CANTORA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-6572317769690636457</id><published>2008-08-02T20:47:00.000-07:00</published><updated>2008-08-14T07:09:54.794-07:00</updated><title type='text'>QUALQUER CANTO É MENOR DO QUE A VIDA DE QUALQUER PESSOA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SKQ8nir8BRI/AAAAAAAAADk/l7W12vOBwoQ/s1600-h/vida.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234375316935017746" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SKQ8nir8BRI/AAAAAAAAADk/l7W12vOBwoQ/s320/vida.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Parafraseio uma parte da canção de Belchior “Como nossos pais”, para aludir sobre o meu novo tema. Se há algo a falar nessa semana, falo dos destinos, das vidas das pessoas que vão às viagens. Nessa semana, na volta para casa, sentei-me ao lado de uma jovem. Para mim uma pessoa comum, com todos os seus pareceres, envolvida pelo clima da viagem e o seu cansaço peculiar. Fui obrigado a fazê-la levantar-se porque a minha cadeira era a da janela.&lt;br /&gt;“Vai mexer comigo?” – reclamou.&lt;br /&gt;“Já o fiz” – retruquei, amigavelmente.&lt;br /&gt;Soube, durante o curto tempo da viagem, pois o seu destino estava próximo, de que vinha da visita ao seu pai doente. Muitas vezes fechava os olhos num esforço para deixá-los acordados, tanto quanto para esconder a emoção das lágrimas que invadiam as cavidades oculares. O pai tinha já perdido um pulmão, fumara bastante, como também bebera e agora padecia em dores e sofrimento numa cama de um hospital.&lt;br /&gt;Antes de ela descer, pediu-me que verificasse para ela em Juazeiro do Norte uma estátua de Nossa Senhora de Fátima, pois era devota e a sua anterior, alguém a quebrara na repartição onde trabalhava, acidentalmente.&lt;br /&gt;Quando desceu no seu destino, deixou comigo a frase a que me refiro no título desta crônica. Realmente qualquer “canto” é menor do que a vida de qualquer pessoa. A vida passa rápido, mas os seus detalhes, os seus destinos, os caminhos, as curvas, as esquinas marcam cada um. Se eu olhasse cada passageiro naquele instante tinha-se uma vida para contar num sem-número de quilômetros em viagens repetitivas. Aquela mulher, portanto, tinha a sua individual, mas no momento em que repassou para mim, senti-me na obrigação de refletir e num relance momentâneo fazer-me transportar ao hospital onde estava seu pai, vê-lo, sem nunca tê-lo visto, chorar lágrimas de compaixão, dizer-lhe palavras de conforto e de que tudo sairia bem. Ter-me-ia dito a ela, mas não o fiz. Voei em supostas imagens vendo-o a perder o pulmão, nas incontáveis vezes em que fumou os milhares de cigarros e os goles das bebidas nos bares. Vi-o a criar os filhos através do enorme esforço da profissão de pedreiro, onde erguera tantas casas e delas o pão na mesa para as refeições. Cheguei a vê-lo entrar no hospital com sua dor, a sua falta de ar, o problema que comprometia o coração e as noites mal dormidas, mesmo forçadas pelos remédios impostos.&lt;br /&gt;Qualquer canto, nos maiores que sejam, mesmo aqueles em que se pode medir, mesmo aqueles em que num perdido descampado, num infinito horizonte os olhos não alcancem seu fim, realmente é “menor” do que a vida de qualquer pessoa. Então, na fragilidade de vida, há um contrasenso quanto à dureza dos dias e das horas. Mas, na contramão desses mesmos dias, há a cama, a dor e o sofrimento, mas também há a alegria, o amor, as coisas boas, coisas que se precisa pensar, mostrar, realçar, revitalizar. Por que pensar na morte, mesmo sendo certa, se se deve pensar na vida, nos seus mais gloriosos dias e torná-la cada vez maior do que qualquer canto, qualquer lugar?&lt;br /&gt;Avante, e que os próximos dias sejam leves, muito leves.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-6572317769690636457?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/6572317769690636457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=6572317769690636457' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/6572317769690636457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/6572317769690636457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/08/qualquer-canto-menor-do-que-vida-de.html' title='QUALQUER CANTO É MENOR DO QUE A VIDA DE QUALQUER PESSOA'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/SKQ8nir8BRI/AAAAAAAAADk/l7W12vOBwoQ/s72-c/vida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-7971430880899733550</id><published>2008-07-17T17:51:00.000-07:00</published><updated>2008-07-17T18:15:46.004-07:00</updated><title type='text'>ARRAIÁ FORA DE ÉPOCA?</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/SH_ry1foGNI/AAAAAAAAADU/1lhRBWQ55H8/s1600-h/DSC03951.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224153351358781650" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/SH_ry1foGNI/AAAAAAAAADU/1lhRBWQ55H8/s320/DSC03951.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nos últimos dias, não há muito que falar nas viagens, de dentro do ônibus para o mundo coisas que são vistas. Não as vi ultimamente, porém tenho que ir um pouco mais longe para enaltecer outros ares.&lt;br /&gt;Passamos do mês de junho, onde tudo é festa nos maiores e menores recônditos do Nordeste. Tudo é motivo de festa, de danças, de folguedos, de comidas típicas, de quentão, de forró, de quadrilha. Por onde você anda, se depara com um casal atracado em abraços em danças ou uma fogueira no caminho. Pra que mais empolgante do que sentir no ar esse cheiro, ou bem dizer, esse som de abraços, de danças, de músicas e de coisa deliciosas.&lt;br /&gt;Mas o que quero ressaltar é o mês de julho que nele todas as festas anteriores terminam. Será? Não, o mês de junho, as festas juninas são “julhinas” – não sei se existe a palavra - continuam ainda, pois são férias para muitos, e no meio desse “furdunço”, lá no sertão central do Ceará, numa quadra coberta de um Liceu, homens e mulheres sorriem e se congratulam por esse período tão majestoso. A Calçados Senador Pompeu, numa atitude de alavancar ímpetos e auto-estimas, a partir de equipes muito bem equilibradas, foge do junho e entra no julho com uma festa de ficar na história. Funcionários se desdobram como uma forma de dizer pra si e para tantos que, mesmo em crises de entressafra na área de calçados, vale a pena sorrir, festejar. Naquele momento, numa euforia desenfreada, por diminuto que fosse o tempo, esqueceu-se da crise e dos entremeios onde o “bicho” enfurecido e munido de enorme facão a decepar cabeças e espantar alegrias tentasse afastar tudo isso dos merecidos trabalhadores.&lt;br /&gt;Quermesse, concurso de rainha e princesa, quadrilha e forró ao som de pé de serra abrilhantaram a festa. Foi descontraído, onde se viam sorrisos dos mais largos nos rostos dos que faziam e contribuíam para tudo acontecer como foi.&lt;br /&gt;Sem sofisma e sem sofreguidão espalho essa notícia como um doce ensejo para enaltecer a todos, sem exceção. Enaltecer um ou outro, não, mas a todos, de ponta a ponta, a partir da idéia principal e a aquela final: o ápice, o cume, o sucesso.&lt;br /&gt;Mas, como todos têm suas tendências, me contradigo: a quadrilha foi o que porventura não poderia deixar de ser. Se houve erros, não os vi; se houve moleza de alguns, nem isso; se houve atraso em tudo, somos brasileiros. O que houve foi uma dedicação que pode ser visto com outros olhos. Parabéns a todos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Obs.: Ainda ressoam os murmúrios disso tudo em Senador Pompeu. Quem sabe a partir daí se inicie uma etapa diferente na história desse lugar?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-7971430880899733550?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/7971430880899733550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=7971430880899733550' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/7971430880899733550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/7971430880899733550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/07/arrai-fora-de-poca.html' title='ARRAIÁ FORA DE ÉPOCA?'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/SH_ry1foGNI/AAAAAAAAADU/1lhRBWQ55H8/s72-c/DSC03951.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-1040908760149226427</id><published>2008-07-05T08:16:00.000-07:00</published><updated>2008-07-05T08:19:47.572-07:00</updated><title type='text'>ANSIEDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/SG-Q8LLNY2I/AAAAAAAAADM/mvqC_-Vt6PQ/s1600-h/ANSIEDADE.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5219549856612049762" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/SG-Q8LLNY2I/AAAAAAAAADM/mvqC_-Vt6PQ/s320/ANSIEDADE.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Temo pelo que há de vir, o porvir, a morte. Acredito que não só eu, mas todos os mortais. Todos, quase sem exceção, sentem-se assim, indiscriminadamente temerosos pelo que há de vir, absolutamente. Não quero com isso demonstrar nessas palavras semanais – aliás, estive ausente por bom tempo – uma dose, uma pitada de pessimismo. É porque o mundo de hoje e em cada esquina se mostra traquino, inconseqüente por conta das misérias, do medo, da violência golpeante. Mas, não quero paginar esse preâmbulo assim tão verossímil, mas cauteloso, senão.&lt;br /&gt;Estou no ônibus, como sempre digo, semanalmente. Por isso, observações de bordo vem à tona uma nova vez agora com outros olhos. E tento ou enxergo mesmo quase todos os movimentos dos passageiros nessas viagens de dez horas. Entre uma música do mp4 colado nos ouvidos, ou uma leitura de um livro em pleno solavanco – vou de encontro às normas de saúde para minhas retinas – assisto a todos os tipos de ações, vozes e compulsões de tantos. Vejo gente simples, gente besta, gente. Vejo vômitos de mulheres enjoadas derramarem-se em assentos, em corredores, em sacos plásticos, nos pais até. Vejo reclamações de freios estridentes, de bagagens que foram trocadas, de celulares que tilintam em demasia, principalmente quando o veículo está prestes a chegar aos destinos. E é aí que me finco e retrato esta crônica: a ansiedade.&lt;br /&gt;Por que – me pergunto – boa parte dos passageiros não agüentam de ansiedade ao ver que sua parada está bem ali? Não agüentam em permanecer sentadas enquanto o veículo pára? Antes mesmo que o último freio seja acionado, já tantos estão quase no colo do motorista, querem chegar primeiro do que o ônibus. Na rodoviária, principalmente, os corredores ficam lotados de gente em pé. Ora, todos sabem que ali é o final para eles, e por que não permanecem sentados até o final? Seria o caso de não mais suportarem tanto tempo na climatização do veiculo, ou do enjôo que arrancou quase as tripas durante o percurso da viagem? Mas nem todos enjoam, nem todos se cansam. O que se nota é aquela vontade enorme de estar em terra firme. E fico pensando como seriam essas pessoas num avião. Em pé, seguros por um bastão esperando a aterrissagem.&lt;br /&gt;Ansiedade, tempos modernos, tempos de loucura, de medo do que virá, de terror ante as próximas horas. O que se vê são pessoas ansiosas, apressadas e muitas com o gosto de estar em vantagem sobre as outras. Descer primeiro significa ganhar tempo, ser o primeiro de uma fila inconcebível. Não sabem elas que a morte escolheu a todos, somente a ela lhe cabe o dia, a hora e o local? Mas parecem que muitos querem se antecipar a isso, mas eu não, nem tão cedo espero encontrá-la, mesmo sabendo que o final da linha está ali, na rodoviária. Prefiro ser o último, com certeza e descer tranqüilo, sem pressa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-1040908760149226427?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/1040908760149226427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=1040908760149226427' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1040908760149226427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1040908760149226427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/07/ansiedade.html' title='ANSIEDADE'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/SG-Q8LLNY2I/AAAAAAAAADM/mvqC_-Vt6PQ/s72-c/ANSIEDADE.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-4789608714965674287</id><published>2008-04-30T07:49:00.000-07:00</published><updated>2008-04-30T07:57:17.409-07:00</updated><title type='text'>LOUCO POR BOLA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_QeBETF3vbfk/SBiHvzeCMWI/AAAAAAAAAC8/gwjd5IHtNXk/s1600-h/Bola.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195051425511649634" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_QeBETF3vbfk/SBiHvzeCMWI/AAAAAAAAAC8/gwjd5IHtNXk/s320/Bola.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vou sair um pouco das observações de bordo, de dentro do ônibus para me reportar algo que me veio à mente. Conheço um guri, um pirralho, um pré-adolescente, como queiram, com seus lá 13 anos. É interessante observar o seu trajeto de vida em todos os seus detalhes para justificar o título desta crônica. Nasceu num berço comum, ladeado pelos familiares. O primeiro presente que recebeu foi uma bola, ofertado pelo pai, claro. Quem mais poderia ser da família, além de um pai coruja ou puramente peladeiro, futebolístico?&lt;br /&gt;Outro contato com a bola ou as bolas foi nos peitos da mãe, mas logo deixou de lado, abusou, talvez pelo fato de saber que elas não seriam mais as mesmas.&lt;br /&gt;Quando foi tempo de ir para a escola ficava desesperado para chegar a hora do recreio, talvez não para merendar, mas para jogar bola com os colegas. Na sala de aula, nas matérias de matemática e de geografia não via outra coisa na frente a não ser figuras geométricas e gostava imensamente de fazer o círculo, porque lembrava uma bola. Na geografia o globo mundial porque também lá vinha à mente a figura da bola. Voltava para casa com o gosto adocicado de bola na boca e na mente. Jogava os livros de lado, mal digeria a comida, porque sabia que a rua seria o campo dos seus sonhos: traves feitas de tijolos ou de chinelos, uma bola de plástico ou de pano e a loucura nas pernas e na vontade.&lt;br /&gt;Dialogar é com ele mesmo, além de uma gagueira vinda da timidez (herdou do pai), mas de dez palavras que pronuncia, nove é sobre futebol e a outra de uma modalidade esportiva qualquer.&lt;br /&gt;Só uma coisa pode tirá-lo desse fanatismo, seria a comida: mas no cardápio teria que ter: bola de carne, pizza (redonda), bola de cuscuz, bolo de chocolate. Outro fator importante é quanto ao jogo, as partidas de futebol. Torce para dois times, um da cidade e outro do sul do país, mas se tratando de futebol assiste a qualquer partida, até do time adversário. O certo é não perder um só lance, de olho na bola, claro. A certeza é que aquele quadrilátero que se chama campo de futebol lhe atrai infinitamente, desde as traves até aos gandulas que vão em busca das bolas. Queria ser nem que fosse um deles, ou o mais fantástico, as traves, se bem que sentiria o impacto da bola nas raridades. Se houvesse alguma pergunta que alguém, inadvertidamente, fizesse sobre o seu futuro, qual seria a resposta?&lt;br /&gt;Tem só 13 anos, mas todo homem sabe que essa é a idade em que inicia o processo da construção do desejo sexual. Como o brasileiro é louco por futebol, também o é pelo rebolado da mulata, no requebro das ancas, onde ele ver não só a bunda, mas duas bolas.&lt;br /&gt;Ah! Ele tem um irmão, mas é totalmente a antítese, não tem muita intimidade com a bola. Prefere um bom prato e de preferência cheio. Tem gosto por tudo que for comida. Mas gosta de coisa redonda, não como a bola, mas como uma panela, por exemplo. Tem somente uma característica similar, é gordo como uma bola, e o irmão não pode vê-lo por perto, porque vai logo tratando de lhe dar um chute, para não perder a esportiva.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-4789608714965674287?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/4789608714965674287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=4789608714965674287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/4789608714965674287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/4789608714965674287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/04/louco-por-bola.html' title='LOUCO POR BOLA'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_QeBETF3vbfk/SBiHvzeCMWI/AAAAAAAAAC8/gwjd5IHtNXk/s72-c/Bola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-8415075996176448140</id><published>2008-03-23T17:22:00.000-07:00</published><updated>2008-03-23T17:28:33.158-07:00</updated><title type='text'>SEMENTEMENTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R-b1qsR52kI/AAAAAAAAAC0/DXqZ1Sjdtkw/s1600-h/SEMENTES.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181098535125899842" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R-b1qsR52kI/AAAAAAAAAC0/DXqZ1Sjdtkw/s320/SEMENTES.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Saio, nesta semana, do ônibus para observar uma passagem que me veio à mente, embora deva ter lembrado dela ainda no assento do veículo.&lt;br /&gt;Há um ano, época da Semana Santa, tive uma dessas raras oportunidades de ganhar algumas horas em conversas com um caboclo do sertão. Na oportunidade o negro das nuvens não se fazia tanto como agora neste ano de 2008 cá pelas bandas do Cariri. E vi, entre umas palavras e outras, o marejar de lágrimas nos cantos dos olhos do bravio sertanejo, onde se preocupava pelas escassas chuvas e já se vendo pelo espalmar do campo a timidez do verde perdendo sua cor e com isso o legume ameaçado se perder.&lt;br /&gt;Tomei emprestada a situação e fiz esta crônica-poema que na época retratou bem o cenário vivido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Nito Paixão, de paixão pelo chão, chora,&lt;br /&gt;Por não ver no céu, nuvens negras,&lt;br /&gt;Nem ventos que tragam esperanças.&lt;br /&gt;Pelo campo, sementes semeadas&lt;br /&gt;Ao redor, chorosas crianças&lt;br /&gt;E no espaldar das mãos, grandes rugas&lt;br /&gt;E nos olhos lágrimas mais que salgadas&lt;br /&gt;E agora?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;2. Sementemente nos olhos de pavor,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vendo os grãos soterrados desde então.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Paixão que é Nito, em grito de terror&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por não ver grãos transformados em colheita,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por uma desfeita do destino&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Chuva que não vem dar evasão&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aos gostos de uma vida em desatino&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E que chora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;3. Colher o milho, debulhar os grãos,&lt;br /&gt;Moer sentimentos, comer de sofreguidão,&lt;br /&gt;Remoer as chuvas, espalhar as rugas,&lt;br /&gt;Transformar o mal em tácitas fugas,&lt;br /&gt;Esperar os ventos e as suas bonanças,&lt;br /&gt;Olhar para a mulher, afagar as crianças,&lt;br /&gt;São as coisas mais simples da paixão de Nito,&lt;br /&gt;Fica dito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Porque de grãos não poder haver colheita;&lt;br /&gt;Pela vida fará de tudo para ser semente,&lt;br /&gt;O que da mente virá a vida feita&lt;br /&gt;Aos montes pelo seu torrão.&lt;br /&gt;Nas mãos outras mãos de guarita,&lt;br /&gt;Porque sabe que colherá sementemente&lt;br /&gt;Uma roça de amor do rico chão&lt;br /&gt;E das delícias que vêm da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anchieta Mendes&lt;br /&gt;12/04/2007 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-8415075996176448140?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/8415075996176448140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=8415075996176448140' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/8415075996176448140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/8415075996176448140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/03/sementemente.html' title='SEMENTEMENTE'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R-b1qsR52kI/AAAAAAAAAC0/DXqZ1Sjdtkw/s72-c/SEMENTES.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-7324308760722255526</id><published>2008-03-23T16:42:00.000-07:00</published><updated>2008-03-23T16:51:25.723-07:00</updated><title type='text'>LUTO FECHADO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R-bsL8R52jI/AAAAAAAAACs/sGT9moPGEcY/s1600-h/Luto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181088111240272434" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R-bsL8R52jI/AAAAAAAAACs/sGT9moPGEcY/s320/Luto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esquecer-se da morte e dos mortos é prestar um péssimo serviço à vida e aos vivos. (Philippe Áries)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mulher entrou no ônibus, de luto fechado, ou pelo menos toda vestida de preto. Não quis me envolver no que representava aqueles trajes, mas não pude deixar de perceber que meus pensamentos alçaram vôos e foram de encontro ao significado do preto. Lembrei-me rapidamente, como bom juazeirense, do preto que se veste em todo Cariri e várias cidades do Nordeste, nos dias 20 de cada mês pela alma do Padre Cícero. Lembrei-me também, segundo conta-se a história, quando da morte do mesmo em que não havia mais tecido da cor do luto e o povo pintava outros com a cor preta, extraída de lama ou de sumos de árvores. Ninguém queria outra cor, como também não se via outras nos quatro cantos de Juazeiro.&lt;br /&gt;Olhando a mulher sentada noutra fila, mergulhada na negritude do vestido, veio-me à lembrança de que nos dias de hoje não se veste luto fechado por memória de ninguém. Seria o tempo, a rapidez do mesmo em desmemoriar nossas memórias dos que passaram por nós? Seriam os dias que nos naufragam e fazem nos esquecermos dos mortos ou seriámos nós mesmos que repudiamos a cor da forma que se veste e se pinta? Sabe-se que a cor preta hoje é moda, ou se deve ir juntar-se à interpretação do poema de Fernando Pessoa num trecho em que fala que só lembramos dos nossos entes mortos somente até o sétimo dia, pois tudo o mais é passageiro.&lt;br /&gt;Nesse místico de verdade e fantasia, o preto não é apenas luto, mas uma cor que encobre sentimentos, amortece calor, transpira inspiração. O preto é belo, quanto que a mulher ali bem ao lado é apenas uma vaga imagem metida nele, até porque ela não era bela, mas o preto sim.&lt;br /&gt;Mas devo voltar à mulher e ao preto do vestido. Devo também verificar que é de pesar alguém ainda se manifestar á sociedade a sua dor por intermédio de uma cor: dor pela perda, imaculada ferida contida na alma, sem sexo, sem nexo, sem razão. Dor de perda, de sentimento dolorido, de futuro incerto, de ausência aos lados, de noites mal dormidas, insônias perfeitas, sonambulismo inapropriado. Tudo que se passa ao largo são os olhos do falecido, são as falas do falecido, são os perfumes que inebriavam. Tudo que se move, que se tange, que se diz, ele fazia da mesma forma, comia da mesma iguaria, ria dos mesmos risos, maldizia da mesma mazela.&lt;br /&gt;Espero um dia encontrar essa mesma mulher e creio eu que se houver uma cor preta nela deve ser apenas a dos cabelos, pois o vestido já deve estar roto, pois traças se embrenharam nos seus fios. Os olhos, as falas, os perfumes, as iguarias, os risos agora serão outros com toda certeza.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-7324308760722255526?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/7324308760722255526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=7324308760722255526' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/7324308760722255526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/7324308760722255526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/03/luto-fechado.html' title='LUTO FECHADO'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R-bsL8R52jI/AAAAAAAAACs/sGT9moPGEcY/s72-c/Luto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-4057682516880632563</id><published>2008-02-28T16:08:00.000-08:00</published><updated>2008-02-28T16:16:36.535-08:00</updated><title type='text'>VERDE PAISAGEM</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R8dNWUgGz0I/AAAAAAAAACk/3YHfI5J0T-Q/s1600-h/verde+paisagem.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172187742914137922" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R8dNWUgGz0I/AAAAAAAAACk/3YHfI5J0T-Q/s320/verde+paisagem.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Da janela do ônibus, vejo uma paisagem diferente que me enche os olhos. Eles custam a crer que aquele verde seja tão profundo, ao ponto de tentar empertigar mais ainda para sentir que “dói” como uma coisa boa para se ver. Uma paisagem de encher a alma de algo sublime, sobretudo quando esse cenário se sabe que logo perderá sua cor.&lt;br /&gt;Imagino a alegria estampada no semblante do homem do campo, ao amanhecer, abrir a portão do oitão e estender a vista pela vastidão do verde. Um verde tão forte, incapaz de sair das suas retinas e que lhe aumenta as esperanças de dias melhores. Quão provável seria tentar adivinhar o que se passa na mente desse homem, plantado na soleira da porta, com as mãos na cintura, resplandecente sua alma, fácil de notar pelo clima em volta, embora difícil de acompanhar os tantos pensamentos sobre tudo que o envolve.&lt;br /&gt;Viajo vendo um tapete envolvente, igualmente uma satisfação peculiar do homem do campo com suas ferramentas de trabalho, coberto muitas vezes pela densidade do mato, abraçado aos capins, boquiaberto com os animais nos pastos, até acompanhando os trilhares dos cantos dos pássaros. Tudo é festa desmedida ou não, contida ou não, mas com absoluta certeza esperançosa, buscada, mendigada pelos tantos sofrimentos sentidos, rebuscada a cada palmo de chão, a cada nuvem enegrecida, a cada sopro de vento mais fresco, a cada pingo e respigo de chuva. Sim, festa do campo, que de braços longos e fortes abrem-se a um convite aos olhos àqueles que passam ao largo.&lt;br /&gt;Por essa mesma paisagem passei tantas vezes e não me lembro de vê-la tão bela, tão emergente aos todos os sentidos, e muito mais incrível a se perder de vista, acobertada por densas camadas de névoas nas copas das serras.&lt;br /&gt;Vejo animais com esses mesmos sentidos, exclusivamente, onde no farfalhar das asas dos pássaros, no galope dos burros, no trote curto dos jumentos, nos vôos lépidos das aves de rapina, tem um ar de beleza, de imponência natural.&lt;br /&gt;Cercados pelos lados, há açudes, riachos, poças d´água das recentes chuvas e um espelho que confunde céu e a lâmina da água. È de crer a inconfundível soberania dela que corre livre, levando seus peixes, suas algas. Nesse momento lembro-me da poesia, novamente de Fernando Pessoa: “O Tejo é o mais belo rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.”.&lt;br /&gt;Os rios estão ali livres, de ninguém, porque, independente do seu batismo, eles são os mesmos, soltos, febris, incólumes em busca dos mares, como se buscassem mais liberdade, mais profundidade, enfim.&lt;br /&gt;Faço essa analogia para enaltecer mais ainda esse chão nordestino, quando se está banhado pelo musgo inconfundível da seiva que sustenta esse homem bravio, de aspecto inabalável, de fortes alternânças para a busca do melhor a cada dia.&lt;br /&gt;Vejo o homem na porta do oitão e o ônibus que passa resfolegando é apenas um ônibus que passa. Para ele, o homem, aquele verde não é apenas um verde qualquer, mas a perfeição do Criador plantada até a última raiz de vida. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-4057682516880632563?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/4057682516880632563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=4057682516880632563' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/4057682516880632563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/4057682516880632563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/02/verde-paisagem.html' title='VERDE PAISAGEM'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R8dNWUgGz0I/AAAAAAAAACk/3YHfI5J0T-Q/s72-c/verde+paisagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-1870128766661004373</id><published>2008-01-27T06:19:00.000-08:00</published><updated>2008-03-23T16:59:07.889-07:00</updated><title type='text'>ALÉM TEJO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R5yToPDQenI/AAAAAAAAACc/vQLvfaqJQNo/s1600-h/Rio+Tejo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160161592503990898" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R5yToPDQenI/AAAAAAAAACc/vQLvfaqJQNo/s320/Rio%2BTejo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nunca é tarde para se obter o conhecimento. Enquanto vida, esperança. O homem precisa estar sempre em busca da perfeição, dos seus objetivos, mormente condições, e mesmo com elas e sem elas, não importa.&lt;br /&gt;Mais uma vez no ônibus, e agora o tema que vem à tona pego emprestado de um passageiro sentado ao lado com exemplares de literatura de cordel: Lampião e Maria Bonita no paraíso, etc. Fico curioso, mas não me mexo e nem penso em nada. A sua aparência é gente de fora, um estudioso, pois lê os cordéis a rabiscar alguma coisa, anotações. Finjo não me interessar, embora a curiosidade seja um fraco do ser humano, até porque o assunto em questão, que ainda não tinha sido dialogado, me interessava porque é cultura e uma que faz parte do nosso povo: poesia popular, nordestinamente de raiz.&lt;br /&gt;Antes da metade da viagem já sabia que o ao lado era baiano e estava na região do Cariri para um estudo sobre a poesia, a filosofia do direito numa ótica poética popular. O mais interessante e, talvez, comum nos dias de hoje, é que o companheiro de viagem era do interior da Bahia, vivia na roça e só veio a estudar com 14 anos de idade. E aqui faço um a parte para enfatizar esse assunto. Digo que é comum nos dias de hoje uma pessoa vir a estudar já tarde porque ainda há em recôncavos seres humanos que não estudam porque precisa ajudar aos pais, embora as escolas estejam em todos os lugares, nos mais difíceis acessos. O mais empolgante em tudo isso é que, mesmo tarde, o personagem em epígrafe, soube tirar proveito do difícil para superar a si próprio. Formou-se em Direito e hoje leciona numa Faculdade em Minas Gerais. Quantos conseguem esse ápice na vida, embora tantos com escolas nas portas de suas casas e não marcham e nem avançam um quarteirão sequer. È de encher os olhos e esse assunto enviesa por garganta e mente adentro como uma força a nos mostrar que nem tudo está perdido e o conhecimento deve ser sempre rebuscado. Como ele, o personagem, que persegue um assunto simples, a buscar informações para sua tese: como enxertar no ensino de Direito a filosofia a partir da literatura e esta sendo popular. Está, então, a perseguir esse assunto na região do Cariri – celeiro de poetas populares – para defender sua tese em Coimbra, Portugal. Sim, estuda além Tejo, na cidade dos estudiosos, com bolsa do governo português. Conseguiu isso graças a um concurso, onde apenas havia 10 vagas e obteve êxito.&lt;br /&gt;Fiquei, num hiato de diálogo, a imaginar essa vitória e o orgulho que sente por dentro por representar o país tupiniquim nas terras de Fernando Pessoa. Fiquei a imaginar o traçado, o trajeto, a dificuldade para se chagar até ali. Por isso que toda dificuldade tem um troféu a ser erguido, enquanto que as facilidades não têm sabor nenhum. A valorização do espaço, do tempo e dos seus é fundamental para a glória, para a vitória e a meta alcançada.&lt;br /&gt;Ao descer do ônibus estava a levar comigo uma vitória também quando nos deparamos com exemplos tão ímpares.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-1870128766661004373?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/1870128766661004373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=1870128766661004373' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1870128766661004373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1870128766661004373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2008/01/alm-tejo.html' title='ALÉM TEJO'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R5yToPDQenI/AAAAAAAAACc/vQLvfaqJQNo/s72-c/Rio%2BTejo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-5161242691813089755</id><published>2007-12-26T16:36:00.000-08:00</published><updated>2007-12-27T09:58:03.348-08:00</updated><title type='text'>AS IMAGENS</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R3PnmIDoKiI/AAAAAAAAACU/pc4hdG_6sc0/s1600-h/olhos+de+maria.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148713441198352930" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R3PnmIDoKiI/AAAAAAAAACU/pc4hdG_6sc0/s320/olhos+de+maria.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Lendo uma resenha literária numa revista cultural sobre o livro “O homem em queda”, do norte americano Don DeLillo, onde o mesmo cria suas obras a partir das imagens que ver, principalmente em fotos editadas por jornais ou internet, pensei cá comigo: mas não é somente ele que faz isso. Mas, o interessante é que as imagens ele as toma emprestadas e cria suas obras, buscando exprimir o terror. São imagens que, mesmo estática, ele as movimenta a partir da sua imaginação. Porém, como o norte americano citado está em alta devido o tema de fundo ser o fatídico dia 11 de setembro ainda em voga, é bom salientar que muitos outros escritores também usam imagens para a sua criação: Gabriel Garcia Márquez e Erico Veríssimo. O primeiro utilizou de um homem parado no cais com ares de quem espera algo, onde no semblante pairava certa angústia. Gabriel, a partir daí escreveu “Ninguém escreve ao Coronel”, uma novela que mexe com o leitor do começo ao fim e que flui facilmente e quando se espera que continue ela acaba e fica no ar aquela vontade de que assim nunca o fosse. Já Erico Veríssimo ver estampada num jornal uma foto de vários caixões na porta de um cemitério e daí anos depois cria sua obra magnífica: “Incidente em Antares”. Um romance que mistura ficção e realidade, além do fantástico. Mortos insepultos, aproveitando a greve geral da cidade, inclusive dos coveiros, saem às ruas espalhando medo, terror e jogando nas caras dos moradores realidades que eles nunca queriam saber.&lt;br /&gt;Muitas vezes, então, as imagens falam demais e outras nos deixam pensativos. Durante todo este ano de 2007 as vi muitas e com outros olhos. Vi pessoas que me inspiraram a vontade de escrever; locais que me chamaram a atenção pela sua simplicidade em recônditos mais sofridos; de gols de craques; de acidentes; de vida palpitando por todos os lados; de sinistros; de crises e lágrimas; de incidentes, de acidentes, de risos, de beijos e desejos, de poesias ao vento como folhas no outono; vi cenas que gelaram a alma, outras que esquentaram o coração; vi os olhos marejados de lágrimas de gente recebendo presentes, do emprego alcançado, do sonho realizado; vi um dois mil e sete da cor do pecado, de impostos caindo, de políticos iguais, de catástrofes e sangue; vi e ouvi músicas que falaram demais, mas que empobreceram demais também; vi pássaros arribando, buscando outros ares; vi moleques sem camisas pulando de pontes, de aves de rapina no vôo clássico, de vacas magras e raposas mortas no asfalto; vi o tempo passar nas brancas nuvens de céus azuis, de horizontes avermelhados como sangue derramando em cascata; vi a barata ser morta pelos pés do homem (antes que ela se metamorfoseasse no próprio homem); vi o bandido ser preso, algemado para trás, inerte, mas logo crente da sua soltura (pobre justiça), do político ao rir da cara do povo e este povo rir da cara dele (vingança sensível); vi tantas coisas, tantas cenas, tantas imagens, que diria que finalmente não vi nada, além de você: você Maria. Maria dos meus sonhos, da minha pele, da imagem que gravei nos meus olhos no primeiro instante que a vi. Espero vê-la no próximo ano e no outro e no outro e sempre. Você Maria bela, linda, feita mulher que me enche de paz e de fortaleza para saber reter nas minhas retinas as imagens dos seus olhos. Vi através deles, como espelho d´água os reflexos de tudo isso, lado a lado, frente a frente, como jamais vi e que me faz transcrever para o papel os escritos que os criei e os criarei.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-5161242691813089755?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/5161242691813089755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=5161242691813089755' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5161242691813089755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5161242691813089755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2007/12/lendo-uma-resenha-literria-numa-revista.html' title='AS IMAGENS'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R3PnmIDoKiI/AAAAAAAAACU/pc4hdG_6sc0/s72-c/olhos+de+maria.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-2829770659306563827</id><published>2007-12-19T16:12:00.000-08:00</published><updated>2007-12-19T16:17:07.247-08:00</updated><title type='text'>CARTAS AO PAPAI NOEL</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R2m0a4DoKgI/AAAAAAAAACE/jNOjqO9csoc/s1600-h/CARTAS.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145842423064701442" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R2m0a4DoKgI/AAAAAAAAACE/jNOjqO9csoc/s320/CARTAS.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nesse tempo de presentes, pela busca de realizações, de trocas de presentes em festas de amigos secretos, eu chamo a atenção de vocês para um fato marcante que acabo de vivenciar. Jamais passei por uma situação como essa, uma vez que tenho alguma experiência em empresas que trabalhei, com pessoas com que vivi em todas as formas, mas em pleno sertão nordestino nunca. Disse que chamo a atenção de vocês porque parece ser simplória essa coisa de escrever ao Papai Noel que não existe, que alguém inventou, talvez, de última hora, por causa de uma criança ou de uma situação que exigisse isso. Penso que esse alguém não tinha o que fazer ou fazia demais. Escrever ao Papai Noel quantos não fazem. Vejam exemplos de todos os anos em que os Correios ampliam a esperança de várias crianças. E isso existe, o bom velhinho existe em suas mais diversas formas e cores e locais.&lt;br /&gt;A Calçados Senador Pompeu, vale a pena registrar aqui, proporcionou aos seus funcionários uma situação idêntica, onde todos poderiam escrever ao Papai Noel, em busca da esperança, de um presente, de uma situação que mudasse suas vidas. No início foi uma surpresa, um “não sei o quê” enfatizado nas feições de muitos. Talvez para tantos fosse uma forma da empresa fugir um pouco da responsabilidade de não estender a todos o presente de fim de ano, aquela festa que muitos esperam, aonde todos vão e muitos não saem satisfeitos, onde se formam grupos e o sentido de integração e confraternização não é atingido.&lt;br /&gt;Então, muitos escreveram ao velhinho do Pólo Norte ou daqui mesmo do Sertão Central, do Cariri, dos Inhamuns.&lt;br /&gt;Agora, importante ressaltar e encher os olhos d´água: muitos escreveram não para si, mas para outros, lembrando do seu próximo, daqueles que precisavam mesmo de um presente, de uma ajuda, como: cadeiras de rodas, andadores, televisão para a mãe, bicicleta para a filha, camas, móveis, óculos de grau, etc. Ou seja, dentro de cada carta existia um pedido ao Papai Noel, mas eles eram os Papais Noéis em duplicidade.&lt;br /&gt;Na entrega dos presentes, quando das leituras de algumas cartas, o que se viu de lágrimas nos olhos de muitos, na comoção de saber que seu amigo ao lado recebeu aquele presente que tanto ansiava, por saber que uma menina precisava de uma bicicleta que sua mãe não podia comprar, que o olho estava a perder o colorido da vida e acabava de ganhar os óculos, da cadeira de rodas da filha com problemas de locomoção. Realmente não dava para segurar a comoção, as lágrimas e o engasgo na garganta foram sentidos.&lt;br /&gt;Quero então, nesse clima de Natal, felicitar a iniciativa da empresa, de todos que fizeram parte desse evento, e divulgar para muitos que esse tipo de iniciativa vale a pena lagrimejar os olhos e sentir o verdadeiro sentido do tempo do Advento, dAquele que vem e que nos encha de esperança e vida nova.&lt;br /&gt;Feliz Natal a todos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-2829770659306563827?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/2829770659306563827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=2829770659306563827' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/2829770659306563827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/2829770659306563827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2007/12/cartas-ao-papai-noel.html' title='CARTAS AO PAPAI NOEL'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R2m0a4DoKgI/AAAAAAAAACE/jNOjqO9csoc/s72-c/CARTAS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-1747970979811642401</id><published>2007-12-03T15:22:00.000-08:00</published><updated>2007-12-03T16:24:36.537-08:00</updated><title type='text'>UM PASSEIO PELO SERTÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R1Sc7BY8FQI/AAAAAAAAAB8/T1Dp83BEzBs/s1600-R/sertÃ£o1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5139905612535829762" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R1Sc7BY8FQI/AAAAAAAAAB8/xYj4Vz2hMdY/s320/sert%C3%A3o1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R1ScLhY8FPI/AAAAAAAAAB0/TwZ1Bk7nSA4/s1600-R/sertÃ£o2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Quando de um trabalho nos PSF´s no município de Senador Pompeu, tive que visitar vários lugares e, mesmo sendo de uma região também árida, fiquei vislumbrado com tanto brilho para os meus olhos e um gosto a mais para a alma. Pareceram-me comum os lugares, mas no que consegui mergulhar ficou na minha imaginação cada palmo, cada poeira, cada pássaro. Se eu fosse filosofar para me embrenhar nas profundezas do que o sertão traz de belo, ficaria em dois patamares de que me lembro até então: a discrição pela ótica de Guimarães Rosa, em Grande Sertão, Veredas e de Euclides da Cunha em Os Sertões. Não que eu venha a conduzir-me por eles, mas para ter a certeza de que quem precisa escrever algo que passe pelo menos horas entre matos, caatinga, carcará, rolinha, estradas e veredas. Não esquecendo, claro, do povo simples, audaz, guerreiro e forte.&lt;br /&gt;Passei por caminhos que pareciam levar-me a nada, mas esse nada era tudo aos olhos de quem pertinentemente precisa passar por isso nem que fosse para outro tipo de trabalho. Caminhos poeirentos, de pedras e aos lados de matos secos e cinzentos. Aqui e ali uma casa que se erguia e na frente dela uma paz, uma tranqüilidade de fazer qualquer pessoa sentir-se intruso, alheio e doutro mundo. Casas de todos os tipos, da menor ao casarão. As menores com sua simplicidade, de taipa, de barro e os casarões majestosos. Casas abandonadas entregues ao mato denso, às amarguras do tempo. Veredas que também me deixavam imaginar para onde iam, quem por elas seguiam. E o motorista que nos conduzia a cada lugar peculiar, nos dizia das histórias: “um crime passional, quando um marido enciumado mata a esposa a pedradas”, e se vê um túmulo de chamar a atenção e de espinhar os olhos num contraste à luz do sol. “Uma mulher que se suicidou numa ribeira, por ter sido abandonada praticamente no altar pelo noivo, e que nas noites de lua cheia surge para quem passa pelo caminho, subindo nas motos, nos cavalos e qualquer outro tipo de veículo, pondo medo ao lugar.” São essas histórias que fincam na minha mente.&lt;br /&gt;Outro importante detalhe é a cara do povo, da gente do lugar, onde se percebeu os traços marcados pelo sofrimento, pela luta com a terra e os animais. Gente ainda trazendo no lombo dos animais a água, o leite, a lenha. Gente que na varanda cata piolho dos filhos rechonchudos, aparentemente despreocupada com a vida. Gente que mergulha nas águas dos açudes em finais de tarde, que caça passarinho com estilingue, que ordenha a vaca nos currais. Parece um cenário tantas vezes visto, mas não é só isso que impera e que vislumbra, senão a necessidade de que haja um tempo assim, um momento assim para que uma reflexão surja e de quanto precisamos, pelo menos uma vez na vida, depararmos com cenas tão burlescas e imprescindíveis. Cenas de uma pequena árvore com cinco grandes ninhos, de um carcará alçando vôo em busca de alimento, de graúdas mangas dependuradas em sombrosas mangueiras, de uma mãe de grandes peitos amamentando a cria, um menino com os pés descalços atrás de uma galinha, um bezerro a mungir desmamado.&lt;br /&gt;Lugares com nomes interessantes para quem busca nos seus escritos batizar seus lugares fictícios: São Joaquim, Estreito, Contendas, Jatobá, Riacho do Meio, Lajedos, Rosário, Codiá e tantos outros.&lt;br /&gt;A cada entrada nesses lugares era como se estivesse adentrando num filme antigo, numa novela de época, num romance de Gabriel Garcia Márquez ou de Guimarães Rosa. Lugares que só a eles pertencem por serem suas as casas, as gentes, os animais, o ar, a poeira, o sol e a lua. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R1Sb-xY8FOI/AAAAAAAAABs/CqLVpwKjaWo/s1600-R/sertÃ£o1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-1747970979811642401?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/1747970979811642401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=1747970979811642401' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1747970979811642401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1747970979811642401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2007/12/um-passeio-pelo-serto.html' title='UM PASSEIO PELO SERTÃO'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R1Sc7BY8FQI/AAAAAAAAAB8/xYj4Vz2hMdY/s72-c/sert%C3%A3o1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-1742311386440857515</id><published>2007-11-25T06:45:00.000-08:00</published><updated>2007-11-25T08:17:41.153-08:00</updated><title type='text'>MOTORISTA DO AMOR</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R0mgGCQ8YuI/AAAAAAAAABk/iGtya9sTzrQ/s1600-h/diaTaxi1.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5136812875540357858" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R0mgGCQ8YuI/AAAAAAAAABk/iGtya9sTzrQ/s320/diaTaxi1.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A partir dessa e das outras semanas retratarei sobre alguns personagens que conheço por onde ando e trabalho. Alguém pode me perguntar se o que escrevo é verídico ou apenas trata-se de literatura de ficção ou tudo não passa de embelezamento de palavras. Para vocês que me acompanham na leitura semanal não vou muito me deter ao lugar, mas ao personagem sim. Isso equivale dizer que toda e qualquer espécie de gênero literário (conto, poesia, crônica, novela e romance) precisa-se de uma imagem para que quem escreva revigore a sua imaginação.&lt;br /&gt;Em pleno sertão central cearense ou em qualquer outro lugar pode-se encontrar personagem ao qual descreverei, mas ainda não pude averiguar mais de perto outro igual a esse. É muito singular ver em praças, nas calçadas, nos botecos e becos, nas esquinas e pelas estradas gente de todas as espécies, com suas características e seu jeito de ver a vida nos mais diversos ângulos. È comum se ouvir dos jovens de hoje respostas evasivas sobre os seus sonhos e seus anseios em relação ao que se quer dela. É comum ouvir de respostas ou de comentários desses jovens e de adultos sobre política ou economia ou cultura que se esvaziem as palavras de forma tão rápidas. Mas não é comum ouvir de um taxista fincado nesse sertão, que talvez nem tenha ouvido falar de Sócrates ou Platão ou Luiz Marins ou Marx Gehringer sobre o atendimento a seus clientes. Talvez seja comum a muitos levarem seus clientes a motéis e a diversos lugares proibidos de forma sigilosa e só a eles – motorista e passageiros – se guardam o destino e as ações vindouras.&lt;br /&gt;Fico no que é demais sublime sobre o comentário primeiro: o conhecimento que o mesmo tem sobre o tratamento a seus clientes. Homem de boas palavras, de sorriso fácil, de poucas letras, de uso de boné, de barba à la Lula, e uma devoção pelo Padre Cícero e uma jaculatória incansável sobre “meu Deus.” Religioso por demais, todo dia 20 do mês veste-se de luto pela alma do Reverendo do Nordeste e vai sempre à missa. Em cada dez palavras, a expressão Meu Deus está em nove. O táxi é a sua empresa móvel, onde os passageiros clientes vips que nutrem de uma boa e salutar conversa e um tratamento de fazer inveja a qualquer um. É daquelas pessoas que não deixa o cliente na mão, abre a porta do carro, deixa o cliente a vontade e sabe, por uma experiência de vida que é preciso estar limpo, perfumado, bem vestido, medidor das palavras que lhe saem da boca, reverenciador, ético. Nunca percebi que leu um livro sobre motivação, programas de qualidade, economia, quais os procedimentos para atrair um cliente comum e um em potencial, essas teorias que vieram do pós-guerra até os dias de hoje sobre essas questões: ele consegue em todos os pontos decifrar, sentado ou acompanhando o passageiro, detalhes para não perder o seu ganha-pão. Parece, à primeira vista, que decifrou as entrelinhas de um bestseller sobre “como dirigir um táxi em pleno sertão” para ser um motorista com diferencial. Ele sabe disso, quem o disse, quem lhe chamou atenção, senão o próprio ou um cliente mais avançado, incomum. É tanto que um cliente lhe alcunhou com o que ficou mais conhecido em Senador Pompeu: Motorista do amor. Motorista que não se conhece em qualquer lugar e amor pelo seu carisma, sua maneira de tratamento, pela discrição nas conversas e na condução a lugares que necessitam da interpretação da imagem dos três macacos sábios que Gandhi sempre levava consigo: não vejo, não escuto e nem falo. Por causa disso muitas esposas, esposos, namoradas e namorados o vêem com outros olhos, mas nada podem fazer: é seu ofício, seu trabalho que dita normas e um passageiro é um passageiro.&lt;br /&gt;“O meu Deus e o Padrinho Padre Cícero que me abençoem sempre e a você bom trabalho e vá com Deus, meu irmão.” Despede-se no final.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-1742311386440857515?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/1742311386440857515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=1742311386440857515' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1742311386440857515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/1742311386440857515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2007/11/motorista-do-amor.html' title='MOTORISTA DO AMOR'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_QeBETF3vbfk/R0mgGCQ8YuI/AAAAAAAAABk/iGtya9sTzrQ/s72-c/diaTaxi1.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-354900674011302367</id><published>2007-11-10T06:52:00.000-08:00</published><updated>2007-11-10T06:59:56.354-08:00</updated><title type='text'>QUEM ESPERA SEMPRE ALCANÇA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RzXG_ehhPhI/AAAAAAAAABc/NMgS9syz7a0/s1600-h/DO_PONTO%20DE%20ONIBUS%20SITE.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5131226144286260754" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RzXG_ehhPhI/AAAAAAAAABc/NMgS9syz7a0/s320/DO_PONTO%2520DE%2520ONIBUS%2520SITE.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;”São quatro jogadores, nesta mesa&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Frente a frente para jogar (...)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;São quatro jogadores, nesta mesa&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;                                                       Dando as cartas, no jogo surdo da vida.”&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;                                                                                       Xangai, Kukukaya&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São quatro pessoas a espera de um ônibus. Quatro felizes almas que buscam, separadamente, o seu destino. A espera torna-se longa. O ônibus certamente está atasado. Não é da primeira vez e acredita-se que não será a última. Mas vale a pena traçar os quatro perfis dessas pessoas a espera de uma condução que as conduzirá a seus destinos. Ao meu ver todas com ansiedade num nervosismo peculiar de quem sempre está apressado, numa agonia incontida, porque se sabe que esperar não é uma virtude do brasileiro, que, aliás, espera tanto e em tantas ocasiões, como filas de banco, de lotérica, da esperança de dias melhores, da aposentadoria ou do amor que nunca veio.&lt;br /&gt;Uma delas espera ansiosa que o ônibus venha logo porque a mãe que ficou na cidade destino vai estar só, doente e necessitada da presença da filha; não espera sentada, porque cansa e maltrada os nervos. Trás nos gestos e na voz característica de uma jovem que vive todos os minutos da vida e os acha preciosos, não pelo fato de deixar logo o lugar de onde estava, mas para estar sentada numa poltrona do ônibus e que a levasse para o destino final e que fosse bem. Em casa a mãe com problemas de artrose a esperava, acredita-se, também ansiosa. Certamente a filha era muito importante, não pelo fato de ser somente filha, mas por ela ser amável e carinhosa. De todas as pessos a espera, era a mais inquieta, nervosa, caminhando de um lado a outro, olhando de quando em vez para o sentido de onde o ônibus vinha. Sorria de vez em quando, era verdade, mais para esconder o fato da espera. Deixou na cidade de origem o seu amor recente, entregue aos dias da sua ausência, pelo menos por um dia e meio, não sabendo ele que esses dias iriam ser estendidos por uma folga do trabalho ampliada. A segunda personagem, também mulher, não espera em pé, pois consegue deixar estar sentada e aguarda o ônibus também nervosa porque precisa estar numa reunião de empresa, embora a reunião seja ainda para outro dia; nesse tempo então de ansiedade e palavras saltitantes aos lábios e ouvidos, ela deixa escapar o passado da vida, onde tivera vivido dias de angústia e aquele trabalho atual a fazia de uma pessoa realizada. Achava-se importante por sentir-se útil num trabalho que a elevava como pessoa e como mulher. Aliás, única como vendedora em meio a tantos homens. Sentia-se por deveras envolvida por uma áurea de brilho porque por ser única também o era por uma questão de sobrevivência e por gosto pela profissão. Sua voz, aos comentários aleatórios, eram bem traçada com bastante autonomia, todavia a espera pela condução a trazia de volta pelo desespero da espera e do cansaço antecipado. No fragor dos seus jovens anos e do seu olhar alviçareiro traduziam numa mulher preparada e sabedora do que queria. A terceira mulher triangulava o cenário numa calma sem medida em relação as outras duas. Não falava, não transpirava e nem sequer se maldizia. Para ela em relação as outras o ônibus estava ainda no horário. Trabalhava representando produtos de beleza. Certamente representar beleza parecia precisar de nervos, de aparentar calma e deixar no semblante traços dos produtos como uma excelente representante dos mesmos. Outra pessoa, claro, era eu que fechava os quatro numa espera que, pelo tempo, estava nos deixando agoniados. Resultado: o ônibus tinha ficado pela estrada com defeito. Esperava-se então outro que estava por vir, daí a demora incondicional.&lt;br /&gt;São quatro personagens com destinos semelhantes, embora com finais em separado. Do meu ponto de vista, do meu ângulo quase incontrolável, as vejo num diferencial medido. São jovens, são mulheres, são pessoas com suas vidas bem delineadas em busca sempre do amanhã. São viajantes como eu e são esperançosas como tantos outros. Num jogo de cartas na mesa, como na música acima, e aí me incluo, são quatro jogadores envoltos da mesa da vida em busca de ganhar, de vitória e de dias que sempre sejam páginas preenchidas por letras vistas e revistas. São quatro jogadores com palavras fáceis num jogo surdo da vida, embora as duas primeiras não parassem nunca de trazer sons aos tímpanos. São quatro pessoas com olhos de futuro, com mãos crispadas pelo gosto apetitoso pelo avanço dos dias e pela busca dos sabores deles. São quatro viajantes com sorrisos fáceis, apesar da espera agoniada, embora no fundo se saiba que quem espera sempre alcança, independente do tempo.&lt;br /&gt;O ônibus chegou para abrir o sorriso de todos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-354900674011302367?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/354900674011302367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=354900674011302367' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/354900674011302367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/354900674011302367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2007/11/quem-espera-sempre-alcana.html' title='QUEM ESPERA SEMPRE ALCANÇA'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RzXG_ehhPhI/AAAAAAAAABc/NMgS9syz7a0/s72-c/DO_PONTO%2520DE%2520ONIBUS%2520SITE.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-2185338990588027121</id><published>2007-11-03T07:31:00.000-07:00</published><updated>2007-11-03T07:39:20.879-07:00</updated><title type='text'>CRUZES NA ESTRADA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RyyHatGQ8vI/AAAAAAAAABU/7TOseHk1Zo0/s1600-h/estrada-cruz2.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5128622968520372978" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RyyHatGQ8vI/AAAAAAAAABU/7TOseHk1Zo0/s320/estrada-cruz2.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;“Caminheiro que passas pela estrada,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Seguindo pelo rumo do sertão&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Quando vires a cruz abandonada,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Deixe-a em paz dormir na solidão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Que vale o ramo do alecrim cheiroso,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Que lhe atiras nos braços ao passar,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Vais espantar o bando buliçoso&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Das borboletas, que lá vão pousar.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;(Castro Alves, A cruz da estrada) &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Belchior, cantor cearense, tomou emprestada a epígrafe de Castro Alves acima para uma canção sua: Aguapé. Aproveito, então, da mesma epígrafe (A cruz da estrada) para abrilhantar minha observação dessa semana. O dia é de Finados, referência aos nossos mortos e tento compreender tantas cruzes pela estrada por onde passo semanalmente. No trabalho do grande poeta baiano, ele fez referência ao escravo, onde na solidão da beira da estrada ele repousa absoluto abraçado à sua liberdade. Liberdade esta da morte que lhe apossou enfim nos seus últimos suspiros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fazendo uma alusão nessa candura de palavras, também seguindo pelo sertão, não vou, claro, tentar tirar o sossego dos mortos que lá repousam, mas vou despertar os vivos que cá estão. Nem tão-pouco atirar alecrim, mas ao invés disso atiro-lhes esses pensamentos para tentar reparar os absurdos que acontecem nas estradas do nosso país. Porque se há cruzes na estrada, houve violência que norteou esses marcos. Atiro-lhes nos seios desses serem insepultos e abeirados uma compaixão, sem sequer saber como foi a causa da morte. Ademais não é preciso fazer uma análise ou estatística, pois os atropelamentos, os acidentes falam por si em diversos ângulos. Falam sem parar devido a inconsciência de muitos, das adversidades de cultura, dos absurdos de que o mal só acontece com o outro. Os sertanejos, mais precisamente plantam essas cruzes numa junção de dor e lembrança do seu morto, como também um alerta para os que por ali trafegam. Por mais que haja aplicação de multa, de advertência, de melhorias nas estradas, não há uma estagnação nos acidentes mortais. Quantas cruzes ali estão e que serão fincadas a cada ano?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sim, “que vale o ramo do alecrim cheiroso”, porque dele não há mais importância. Devemos atirar mais condolências, perdão e promessas de mais prudência. Despertar, não os mortos nos seus sufrágios, mas os tais vivos que matam, que maltratam e limitam a vida de muitos. Despertar nossas consciências e sermos mais humanos e ao invés de “alecrim” se possa atirar vida e esperança. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Vais espantar o bando buliçoso/Das borboletas, que lá vão pousar”. Aludir às borboletas como seres indefesos e coloridos aos olhos. Seres frágeis que abrilhantam e sugere-se companhia nas mais puras das solidões. Quando os carros passam, os homens passam ao largo e ao léu, as cruzes ficam para trás esquecidas, ignoradas, sem alecrim e sem paixão.  Seria preciso um dia, num amontoado deles, para lembrar delas abandonadas à beira da estrada ao sol e ao sereno. Lembrar que antes havia luzes e as borboletas não tinham onde pousar. Antes havia vida e alegria e encanto e amor e sofreguidão, mas hoje somente oração. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diminuir as cruzes seria um passo, mas bem melhor diminuir os sofrimentos de quem fica. Diminuir as atrocidades e trocar essas cruzes pela reeducação e aumentar a cultura e a consciência do homem que se esconde por trás de um volante, e quem sabe ler mais Castro Alves e ouvir Belchior nas suas interpretações bem mais motivacionais. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-2185338990588027121?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/2185338990588027121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=2185338990588027121' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/2185338990588027121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/2185338990588027121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2007/11/cruzes-na-estrada.html' title='CRUZES NA ESTRADA'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RyyHatGQ8vI/AAAAAAAAABU/7TOseHk1Zo0/s72-c/estrada-cruz2.gif' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-6426719953635221384</id><published>2007-10-25T15:33:00.000-07:00</published><updated>2007-10-25T16:18:24.183-07:00</updated><title type='text'>SEU MUNDINHO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RyEkMNGQ8uI/AAAAAAAAABM/Xd21g7p6KR8/s1600-h/velho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125417643017302754" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RyEkMNGQ8uI/AAAAAAAAABM/Xd21g7p6KR8/s320/velho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Km 20 ou Senhor do Bonfim, distrito de Senador Pompeu, é uma localidade simples, cortada pela estrada do algodão que liga as regiões do Cariri, Centro-Sul e Sertão Central à capital Fortaleza. É neste dito lugar que eu desço nas minhas viagens e de onde espero o ônibus de volta. Já fiz amizades com boa gente e numa dessas idas e vindas, apresentaram-me um personagem de encher os olhos e de nunca esquecer, principalmente para nós que fotografamos o momento pelas lentes dos olhos e de guardar na memória passagens diversas. À primeira vista achei-o estranho pela sua formação, pelo seu biótipo: no rosto estampavam-se as cavidades laterais das faces de uma magreza, que para ele (depois percebi) era de uma fortaleza sem medida. Logicamente o panorama do corpo em todas suas linhas comungava com o que se via nas faces do seu Mundinho. Apresentou-se assim alvissareiro, alegre, saltitante. É verdade. Nunca o tinha visto pelo tempo que permaneço nesse lugar semanalmente. Um personagem daquele que a gente ver no meio da feira, como se vendesse pomada para mordida de cobra, embolador ritmado sem parar de falar:&lt;br /&gt;“Senhor você não me conhece, mas o que vou lhe dizer está aqui e ali bem perto de você. Para se curar de vez contra tiros e olho grande, tome três goles d´água e se benza, isso bem cedo ao se levantar. Assim, sem mais nem menos. Para você ter idéia, tenho cinqüenta e seis anos e mais pareço um menino. Esse corpo que você ver já saltou de andares e no chão pisei com leveza e maestria. Andei com todo tipo de gente, valentões desse Ceará, capangas de coronéis, assassinos dos mais brutos. Tomei cerveja com eles, fumei cigarros atrás do outro e cá estou para contar história. Tenho o corpo fechado por uma fé que carrego passada pela minha avó: três goles d´água e um pai nosso. Nada mais do que isso. Corpo fechado para bala e olho grande, repito. E não sou dos antigos, pois me considero jovem: danço não somente danças de forró antigo, nem xaxado, nem valsa, nem xote ou maracatu. Danço também essas danças de hoje como ninguém: na boquinha da garrafa, a bundinha (nisso fazia o jeito da dança numa leveza ao mesmo tempo cômica).&lt;br /&gt;Senhor, não tenho inveja de ninguém porque disso não preciso. Não fui à escola, no banco dela não sentei, mas sei as contas de cor, pra testar é só falar. Sei de frente e de trás pra frente, e nem na calçada da escola passei.&lt;br /&gt;Vejo que o senhor, mas antes qual a sua graça? Pois é, também rezo para tirar quebranto, espinhela caída, olho grande e má querença. (Falo então de um joelho meu quebrado por causa de acidente). Não se desespere, vou rezar agora mesmo, e antes que o sol se ponha o senhor não sentirá dor, mas não faz mal lembrar, porque lembrança é coisa que todo homem precisa ter, que tem que tomar três goles d´água e se persignar, porque sem assim falando não dá, não cura, pois veja.&lt;br /&gt;(Estendeu a mão na direção do joelho, cerrou os olhos e com a cabeça perpendicular rezou. Rezou meio contrito, rápido como era o seu jeito de falar).&lt;br /&gt;Pronto, agora sempre tome os goles d´água. Olhe senhor não sou daqui, e sim de Maracanaú, mas dessa região sei de cor como a palma da minha mão. Essa gente toda me conhece e eu conheço ela. E não é sacrifício sempre falar, porque aqui na terra o homem tem seu poder, mas sem aquele lá de cima (tirava o chapéu), não somos nada, pois nEle me seguro e dEle somente temo. Nesse mundo de meu Deus quem não tem no coração o amor, a paz e a caridade de nada tem, mesmo que no cofre e nos bolsos dinheiro não lhe falte. Um dia vai fazer falta nem que seja noutro mundo.&lt;br /&gt;Pois bem, veja senhor o meu corpo que todos pensam que não vale nada. O meu músculo (mostrava o músculo do braço esquerdo) não é um caroço de abacate mas fortaleza, saúde e determinação. Tenho saúde de mil homens e é porque já fiz muita estripulia nessa vida. Bebi demais e também fumei. Tenho essa carteira de cigarros no bolso, mas tem dias que nem me lembro que tenho. Fumo por prazer e não por vício.&lt;br /&gt;E não esqueça você que danço essas danças de hoje: na boquinha da garrafa, a bundinha (e mostrava de novo os tipos de dança, pulando feito um menino, jogando o joelho direito no chão e o esquerdo com o pé apoiado no solo, num pulo como gato).&lt;br /&gt;Não sou um gato e nem tenho sete vidas mas a que tenho dou graças ao lá de cima que me fez viver de novo. Veja senhor esse corte na barriga (levantou a camisa e um rasgo vertical descia de cima a baixo), pois estive quase entregue nos braços da “infeliz”, mas sai dessa e do portão não passei. Tudo dou graças ao lá de cima que sabe que tenho alguma coisa a fazer ainda nesse mundo. E sei bem o que é: levar minha devoção, minhas rezas. Você é de Juazeiro do Padre Cícero? Estive naquele lugar de santo e me espantei com aquela estátua... que coisa enorme, quase nem abarquei o cajado do padre e sequer o chapéu de tão enorme. Também de São Francisco de Assis tenho devoção e acredito piamente nesse seguidor de Nosso Senhor Jesus Cristo...”&lt;br /&gt;O seu Mundinho ainda ia continuar na sua apologia popular, quando o ônibus apontou na curva e quase não deu tempo das despedidas, porém dentro do ônibus rememorei as palavras do personagem para enaltecê-las nessas páginas em branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Obs.: imagem ilustrativa: unknownpoets.blogs.sapo.pt&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-6426719953635221384?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/6426719953635221384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=6426719953635221384' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/6426719953635221384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/6426719953635221384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2007/10/seu-mundinho.html' title='SEU MUNDINHO'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RyEkMNGQ8uI/AAAAAAAAABM/Xd21g7p6KR8/s72-c/velho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-7659174480954987482</id><published>2007-10-15T11:14:00.000-07:00</published><updated>2007-10-15T11:19:44.781-07:00</updated><title type='text'>AMOR POR UM DIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RxOuu6fYZxI/AAAAAAAAAA0/z3Xb7qTdWxc/s1600-h/ArmÃ¡rio+embutido.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121629322248480530" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RxOuu6fYZxI/AAAAAAAAAA0/z3Xb7qTdWxc/s320/Arm%C3%A1rio+embutido.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De tantas viagens feitas semanalmente, houve uma que para mim foi novidade. Fui fazer um trabalho em Sobral, terra de Renato Aragão e do cantor Belchior, para citar os que acho formidáveis. Uma viagem cansativa, devido o meu curto tempo. Chegar numa segunda-feira, fazer o trabalho durante o dia e voltar no início da noite. Viagem de mais de 1.000 km, ida e vinda.&lt;br /&gt;No ônibus muita gente simples, como eu, e romeiros que iam fazer sua peregrinação em Canindé, e uma pessoa me chamou a atenção, tanto na ida como na volta. Mais precisamente na volta, até porque foi nesse período que descobri sem perguntas e sem abrir sequer a boca, a ida dessa mulher à Sobral.&lt;br /&gt;A viagem foi tranqüila, mas não consigo dormir direito, pois a cada freada brusca imagino coisas terríveis. Não sei por qual razão a gente pensa muita besteira, talvez pelo fato de ficarmos mais experiente ao avançar dos dias e os nervos vão ficando mais aos frangalhos. Muitas vezes vejo crianças nessas viagens e as invejo pela tranqüilidade, pela inocência no seu olhar. Jamais passam pela suas cabeças um desastre, um acidente simples ou fatal. Dessa vez não vou me jogar nas mentes delas porque assim fazendo uma simples crônica semanal como essa não terá espaço de tantas coisas lindas que teria que colocar aqui.&lt;br /&gt;Em Sobral vi que o clima da cidade é muito quente, até porque início de outubro tem essa peculariedade do interior nordestino. Fiz o trabalho, conheci o centro da cidade e até deu tempo assistir a um filme no cinema local. Duas salas de exibição e a película, um suspense, me ganhou a confiança e assisti ao filme sozinho, numa sala que parece ter sido reservada só para mim.&lt;br /&gt;De volta ao ônibus, vejo a mulher do início da viagem. Suas características: jovem, bonita e intranqüila, peculiar de quem é jovem e da condição porque foi até ali, como eu, só que com outro objetivo. O dela, ver o marido. No celular em que recebeu a ligação disse que tinha esquecido o lençol, lembrança devido o frio que fazia no ônibus, antagonicamente ao clima lá fora. Achei interessante a viagem dela em busca de braços e carinho, nem que fosse por um dia. Pergunto a mim mesmo se tinha valido a pena, e me vem à mente a frase imortal do poeta Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena.” Sim, tudo vale a pena para ver a quem ama, nem que seja no fim do mundo, e o que tem numa distante de 1.000 km que separe dois amores? Dizem que a distância separa nos seus dois sentidos, talvez por isso essa busca incansável da esposa para ver o marido, despi-lo em todos os sentidos e ver sua alma, na brancura do dia e na escuridão das horas. Por isso também há aquele gosto saboroso de matar a saudade e o amor ser feito com mais gosto, onde se foge da rotina, do dia a dia desgastante. Rever a pessoa querida depois de muito tempo e se um dia não deu ainda para matar a saudade, pelo menos estreitou com gosto o amor febril. Um dia passa muito rápido, mas se nesse período os dois vivessem intensamente as horas, paulatinamente esvaindo-se pelos dedos, cabelos, suores e janelas, seria um dia que ficaria marcado nas suas vidas e tudo que fosse de mundano, tudo que fosse de tristeza e tudo que fosse pequeno, nada seria mais importante de que os dois corpos num só.Tenho a certeza absoluta de que a viagem de volta, para ela, foi uma das mais significativas, mesmo esquecendo do lençol que lhe tiraria o frio e lhe deixaria a lembrança da fragrância do amor no quadrante do tecido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Obs.: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;foto que sugere certa posteridade, como deveria ser um casamento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-7659174480954987482?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/7659174480954987482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=7659174480954987482' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/7659174480954987482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/7659174480954987482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2007/10/amor-por-um-dia.html' title='AMOR POR UM DIA'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RxOuu6fYZxI/AAAAAAAAAA0/z3Xb7qTdWxc/s72-c/Arm%C3%A1rio+embutido.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-2548038416671720166</id><published>2007-10-06T17:25:00.000-07:00</published><updated>2007-10-06T17:38:30.532-07:00</updated><title type='text'>MEMÓRIAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RwgqQKfYZwI/AAAAAAAAAAs/0-QsX8VqZUE/s1600-h/Casa+Abandonada2.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5118387433688819458" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RwgqQKfYZwI/AAAAAAAAAAs/0-QsX8VqZUE/s320/Casa+Abandonada2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Volto agora para o interior do ônibus e chama-me a atenção um casal e uma senhora. O casal está junto num lado e do outro, a senhora. Cabelos brancos, traços de quem viveu muito e ali está meio que tranqüila, olhando de vez em quando para o casal. Possivelmente é mãe da mulher, porque numa lógica vista a pelo menos cinco metros de distância, é uma raridade o homem conduzir sua mãe para uma viagem. A esposa sempre tem o poder, e de imediato veio-me à memória a minha mãe. Vi naquela idosa, na poltrona tão perto e ao mesmo tempo tão distante, a imagem idosa da minha genitora, e quando percebi o olhar dela a fitar a “filha” com os olhos de quem busca refúgio, conduzi-me por uma analogia em que foi preciso naquele instante.&lt;br /&gt;Minha mãe há muito que sofre do mal de Alzheimer, acometida devido a uma hereditariedade, que me lembre começou com o meu avô. Interessante que em todas as pessoas com cabelos brancos que me deparo, logo me vem ela.&lt;br /&gt;Ali, então, a senhora ao lado do casal, vejo que há dois mundos: o da velhinha, calada, mas aparentemente ativa, pensativa, conduzida. Religiosamente trago à tona a epístola de São João, no Capítulo 21, versículo 18, “Quando você era moço se aprontava e ia para onde queria. Mas eu afirmo a você que isto é verdade: quando for velho, você estenderá as mãos, alguém vai amarrá-las e o levará para onde você não vai querer ir.”&lt;br /&gt;O da filha, moça, jovem, com muito pra viver, ao lado do amor, está ali, de vez em quando bipartida pela atenção do marido e da mãe. De um lado a memória por findar e por outro uma que teima em paginar histórias e cuidados.&lt;br /&gt;Com meus sentidos mais aguçados, entro nas mentes das duas e traquino nos seus pensamentos numa dimensão de dois mundos, sendo o primeiro da mãe: “Estou aqui, ao que parece sentada numa cadeira ou poltrona, num balançar que enjoa. Não tenho certeza onde estou realmente, mas vejo passar por mim vultos de coisas verdes e de um azulado céu. Apalpo, agora, minhas pernas cobertas por um vestido de chita, e pensando nisso, nunca gostei de vestir esses tipos de tecido. Nunca fui, lembro-me razoavelmente bem, de me pintar, de colocar coisas decorativas nas minhas feições e nem vestidos coloridos, e hoje me põem esse modelo que odeio. Mas não posso nada dizer, porque eles pensam que estou esclerosada e não tenho mais querer. E para não contrariar nada digo. Sigo vestida neste vestido de gente do sítio. Sítio, sítio, não posso esquecer que sou de lá, mas nunca gostei de morar por aquelas bandas, que nem sei para que lado fica. Mas, para onde estou indo, para onde estão me levando nesse chacoalhar que me enerva e me dá enjôo? Olho agora para aquele casal ao meu lado, e arregalo meus olhos para enxergá-los melhor. Tento lembrar deles, e agora me vem uma dúvida: meu filho ou minha filha?”&lt;br /&gt;Mundo 2: “Mamãe não parece muito bem, a cada dia está pior. Espero que essa viagem traga-lhe melhores ares, que se sinta mais reconfortada. Não entendo porque às vezes ela diz coisa com coisa, fica muda, sorrir sozinha. O que se passa na cabeça dela? Talvez muitas coisas que ela mesma nem saiba. Estou preocupada, a sua idade já está avançada. Às vezes sinto que ela me olha assim como se não visse ninguém, que não sabe a quem está olhando. Para ela vir para essa viagem até que não deu trabalho e está ali, se tocando, passando a mão no banco vizinho, olhando para a paisagem com olhar meio que nostálgico. Será se ela está sentindo falta de papai?”&lt;br /&gt;Depois dessa passagem pelos dois mundos totalmente opostos, onde um pensa em não querer nunca o mal do esquecimento e o outro que imagina a mãe naufragada nele, fecho os olhos o restante da viagem. Não me lembro se sonhei, mas senti-me reconfortado nos braços da minha mãe, mesmo ela não sabendo mais quem sou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-2548038416671720166?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/2548038416671720166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=2548038416671720166' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/2548038416671720166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/2548038416671720166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2007/10/memrias.html' title='MEMÓRIAS'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RwgqQKfYZwI/AAAAAAAAAAs/0-QsX8VqZUE/s72-c/Casa+Abandonada2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-8438337752601683493</id><published>2007-09-29T14:14:00.000-07:00</published><updated>2007-09-29T14:33:33.325-07:00</updated><title type='text'>PAISAGEM</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/Rv7C0qfYZuI/AAAAAAAAAAc/cQ_4BH5rtVo/s1600-h/PHTO0222.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115740436754360034" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/Rv7C0qfYZuI/AAAAAAAAAAc/cQ_4BH5rtVo/s320/PHTO0222.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mais um dia, mais uma semana nas viagens em que me envolvo com meu trabalho, com o ônibus e com a paisagem. Paisagem esta já bem conhecida. Mas hoje tenho uma vontade danada de ficar calado, de ficar introspectivo e vislumbrar somente a paisagem, como também da janela tirar fotos. Tenho uma sensibilidade ótica incrível por casas antigas, da mais simples a mais sofisticada. Cada uma que me aparece na beira da estrada ou longínqua, solitária num sopé de serra, à beira de um açude, escondida por frondosas árvores, chamam-me a atenção. Olho e me vêm à mente locais pitorescos, diferentes, simples e que me invadem numa forma de imaginar aquelas pessoas morando ali, sua rotina, seus dias. Muitas vezes vejo gente nas janelas, no sopé da porta, varrendo o terreiro, no oitão. Outras já velhas, sentadas em cadeiras preguiçosas, pitando, esbaforindo ao ar fumaças antigas. Veio-me à mente o poema de Vinícius de Moraes e Chico Buarque: “Gente Humilde”, onde diz:&lt;br /&gt;Tem certos dias/ em que eu penso em minha gente/ e sinto assim/Todo o meu peito se apertar/Porque parece/Que acontece de repente/Feito um desejo de eu viver/Sem me notar/Igual a como/Quando eu passo no subúrbio/Eu muito bem/vindo de trem de algum lugar/e aí me dá/Como uma inveja dessa gente/Que vai em frente/Sem nem ter com quem contar/São casas simples/Com cadeiras na calçada/E na fachada/Escrito em cima que é um lar/Pela varanda/Flores tristes e baldias/Como a alegria/Que não tem onde encostar/E aí me dá uma tristeza/No meu peito/Feito um despeito/De eu não ter como lutar/E eu que não creio/Peço a Deus por minha gente/É gente humilde/Que vontade de chorar.&lt;br /&gt;Como no poema, vejo essas casas humildes, essa gente simples, sentada na varanda, por sob uma latada de palha, esperando a morte, mas antes olhando o mundo da estrada, do movimento, das andorinhas e sentindo o vento nos cabelos.&lt;br /&gt;Bem longe avisto outras casas sumidas e imagino seus habitantes na luta pela sobrevivência. Cá na cidade se tem o ditado de que se precisa matar um leão por dia, e no campo, que bicho se deve lutar para não ser devorado?&lt;br /&gt;Vejo que mesmo assim com humildade e tudo, sorrisos, uma satisfação e “que vão em frente” sempre, comparo ao que disse Euclides da Cunha: “O nordestino acima de tudo é um forte”. Uma fortaleza de fazer inveja, mesmo que nos olhos se marejem lágrimas de dor, ele não desiste nunca.&lt;br /&gt;Voltando ás casas, olho-as todas, e quantas de janelas abertas para o mundo e no avançar do ônibus, ainda enxergo no seu interior, imaginativamente, palpitar de corações. Lembro-me que vi uma criança simples, de pés descalços, uma boneca nos braços, um olhar no mundo à sua frente, e imaginei o futuro dela. Que futuro, para onde iria, os sonhos a realizarem. Vejo agora, também, uma escola no alto. Hora do intervalo, crianças jogando bola,e penso: quantas dessa gente vão dali sair um doutor, um político, um empresário ou mais um nordestino em São Paulo?&lt;br /&gt;Volto os olhos para o interior do veículo e observo que poucas ou nenhuma pessoa têm olhos para essa paisagem. Cansadas?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-8438337752601683493?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/8438337752601683493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=8438337752601683493' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/8438337752601683493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/8438337752601683493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2007/09/paisagem.html' title='PAISAGEM'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_QeBETF3vbfk/Rv7C0qfYZuI/AAAAAAAAAAc/cQ_4BH5rtVo/s72-c/PHTO0222.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-6900588101560116879</id><published>2007-09-22T13:26:00.000-07:00</published><updated>2007-09-22T13:39:15.177-07:00</updated><title type='text'>MÃE CORUJA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RvV9YqfYZtI/AAAAAAAAAAU/S4-fPE9mFF8/s1600-h/CORUJA3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5113130814625310418" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RvV9YqfYZtI/AAAAAAAAAAU/S4-fPE9mFF8/s320/CORUJA3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O ônibus toma o asfalto de ida, resfolegando na estrada do algodão com vontade, numa velocidade compatível, e cá dentro estou mais uma vez em busca do meu destino semanal. Ao meu lado, hoje não tem ninguém, ainda, mas à frente vão mãe e filha. Fico calado, meio que sonolento, numa manhã bonita, onde pela janela do veículo se ver uma paisagem bucólica, entre um verde que teima em fincar, malgrado sol escaldante do início de agosto. Entre um olhar na paisagem e um nas pessoas em frente, fico a imaginar quanto essas duas naturezas se assemelham: uma misteriosa pela mata fechada e seus habitantes irracionais, e outra no seu mistério feminino que encanta com suas personalidades irretocáveis.&lt;br /&gt;Detenho-me nas duas e suas conversas insuspeitas. A filha envolta em lençol, devido o frio do ar condicionado, e meio que enjoada. A mãe com ar super preocupada, tenta saber o que é. A filha, sabedora de que a mãe tem aquele estilo exagerado de preocupação, tenta acalmá-la, mas com um gosto de vê-la daquela forma e diz, num tom de meninice – pela aparência ela tem seus 25 anos – que lhe falta o ar. Numa atitude de que o mundo estava para se acabar ou o ônibus por virar, a mãe levanta-se num impulso, diz que vai parar o veículo, que as duas desceriam, que não seguiriam a viagem. Mãos na cabeça, mas antes que ela chegasse à cabine do motorista, a filha chama pela mãe aos sorrisos.&lt;br /&gt;Essas cenas se repetem por dezenas de vezes, e quem já estava enjoando era eu. A mãe naquele estado de misericórdia, apalpando a filha, ajeitando-a nos braços, e me vem à mente, Pietá. Pietá de duas mulheres, uma que chora, outra que rir. Não há piedade nisso, é claro, mas há abuso. Viajo, então, pelo passado de ambas e vejo um cenário de filha com seus dois, três anos. Como seria essa cena? O ônibus certamente não passaria da primeira curva e o mundo estaria em pavorosa. A mãe com a filha nos braços correria pelo corredor feito louca e os passageiros em olhares de espantos, ficariam embasbacados e sem ação.&lt;br /&gt;Volto da minha fértil imaginação e sorrio sozinho. A mãe olha para mim como se adivinhasse meu sorriso e exclamou, não para mim, mas para ela mesma: “o que uma festa não faz, bebeu demais.” A filha estava de ressaca e sentia na cabeça e no corpo os maltratos da noite sem dormir e ali, bem cedo da manhã, jogava na cara da mãe o seu enjôo ainda que no balanço da viagem.&lt;br /&gt;Volto à minha imaginação: noite de festa, de calores, de abraços e de amor. Viagem materna, de suores e de horror. Isso para a mãe porque a filha gozava da situação em ver sua companheira de viagem assim, envolvida por uma preocupação de mãe coruja que não deixa seu filhote sentir uma dor: olhos redondos e sentidos aguçados. Mas para nós que estamos assistindo aquela agonia em família não tem como escapar a um comentário lógico: o que uma mãe não faz por um filho ou filha, até se passar por ridícula e se deixar maltratar.&lt;br /&gt;A “criança” dormiu e eu senti-me aliviado, tranqüilo o restante da viagem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-6900588101560116879?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/6900588101560116879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=6900588101560116879' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/6900588101560116879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/6900588101560116879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2007/09/me-coruja.html' title='MÃE CORUJA'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RvV9YqfYZtI/AAAAAAAAAAU/S4-fPE9mFF8/s72-c/CORUJA3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7663788225173773088.post-5861384650140966768</id><published>2007-09-15T18:38:00.000-07:00</published><updated>2007-09-15T18:43:43.225-07:00</updated><title type='text'>UMA ATITUDE DE CORAGEM</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RuyKO1v4bOI/AAAAAAAAAAM/NXOpX2tYQws/s1600-h/PHTO0037.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5110611664709381346" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RuyKO1v4bOI/AAAAAAAAAAM/NXOpX2tYQws/s320/PHTO0037.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entrei no ônibus para mais uma semana de viagem à Senador Pompeu. Que, aliás, é uma cidadezinha de pelos menos 25 mil habitantes fincada no Sertão Central do Ceará. Ir para lá tem que ser a negócio, e esse negócio eu tenho há mais de quatro anos. Mas o povo de lá é hospitaleiro, com orgulho de ter como filho ilustre um dos mais renomados contistas do Estado, senão do Brasil, Moreira Campos.&lt;br /&gt;Sentei-me na poltrona marcada, e lá estava uma mulher. À primeira vista não reparei muito nela, acostumado estava pelas tantas companhias de inda e vinda nessas viagens semanais. Reparei depois até por força de uma conversa simples, amiúde como praxe de quem senta ao lado de alguém, independente do sexo. A fala veio dela, como se estivesse no script: “graças a Deus estou indo embora de Juazeiro do Norte”. Disse a mulher, e foi aí que voltei o olhar e a vi, sentada ao lado, alta, gorda, jovem com seus lá 21 anos e um olhar meio que penoso pela janela, como se despedisse ou tentasse não arrepender-se do que estava dizendo e fazendo. Fui obrigado, juazeirense que sou desde que nasci, a perguntar-lhe o porquê daquele sentimento de revolta por uma cidade tão acolhedora e boa de morar.&lt;br /&gt;“A história é longa...” – disse-me meio que sorrindo e com um suspiro mais que profundo.&lt;br /&gt;Com um ar de graça para que o clima fosse mais propício, rematei: “temos cinco horas de viagem, pelo menos para mim.”&lt;br /&gt;Ela sorriu, e disse primeiramente que ia a uma cidadezinha praiana, perto de Fortaleza e não tinha pretensão mais de voltar. Considerei, assim, que a conversa entraria por um relato importante para um dia ter que começar essas crônicas e que a resolução da moça era forte a ponto de seus olhares rapidamente marejarem. Não quis forçar-lhe nada, até porque não era nenhum profissional de ouvidos alvissareiros ou um psicólogo suburbano. Entre aquele diálogo entrecortado por uma descida ou subida de alguém, uma parada em rodoviárias, ela comia de bolachas recheadas, e eu amigavelmente, adverti-lhe que a mesma engordava, em tom de brincadeira, uma vez que ela já era gordinha. Num sorriso coloquial e num tom mais jovial, considerou que comer era uma forma de esquecer os problemas ou atenuá-los. Ofereceu-me da guloseima, mas preferi permanecer com a minha advertência.&lt;br /&gt;“Deixei o marido”, disse-me assim arrebatadora. “Ontem mesmo vendi o meu negócio, uma escola de ensino infantil, não agüentava mais.”&lt;br /&gt;Debulhou um rosário de acontecimentos na sua vida, a mostrar-me a razão de estar ali, sentada numa poltrona de um ônibus com o destino, talvez, incerto, mas de uma tomada de atitude corajosa e irreparadora. Há muito que chamava a atenção do marido por não agüentar mais viver com ele, porque nunca gostara do mesmo, porque sua vida tinha sido tolhida da meninice, da juventude, da adolescência para viver submissa a um capricho do sexo, que, aliás, fazia por fazer, sem gosto, sem tesão. Ele não queria ouvir, fazia de ouvido mercador, e o tempo passava, e veio assim, a decisão solitária de amanhecer o dia, na ausência do marido, e fugir. Vendeu a escola sem ele saber, sem a mãe, parente nenhum, apenas as professorinhas e seus colegas. Sentia-se aliviada ali, sem os seus por perto, livre, solta, como se a liberdade apenas existisse na sua vida e um destino que lhe esperava longe de braços abertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resmunguei um “hummmm” demorado e fiquei a pensar na coragem da jovem. Casada aos 14 pela imposição dos pais, sem gostar do esposo, sentia-se sem uma vida rotineira como os dos jovens. Sempre gostou da vida agitada e o marido, mais velho 13 anos, não. O teatro foi sua vida, apesar de ser amadora, mas que gostava de escrever peças, até tinha contos rabiscados e engavetados. Recusara convite para ir à Portugal através de um amigo da companhia de teatro. Agora se sentia bem, apesar das últimas horas vividas, e ia em busca da felicidade. Para trás uma vida que não a queria mais e na frente uma estrada asfaltada e desconhecida. Um casal amigo estava a sua espera.&lt;br /&gt;Num trecho da viagem, o celular tocou, como a lhe dizer que o mundo passado não acabara e lhe fazia companhia naquele aparelho. Amigas compartilhavam sua coragem. Nessas horas nenhuma lágrima brotou dos seus olhos.&lt;br /&gt;Emudeci com relação àquela história e cerrei os olhos e imaginei o futuro daquela jovem: fazendo teatro, escrevendo, com uma nova escola em terras distantes e desconhecidas, e certamente um novo amor. Um novo amor, quem sabe, já não estaria a lhe esperar, maldei.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7663788225173773088-5861384650140966768?l=observacoesdebordo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/feeds/5861384650140966768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7663788225173773088&amp;postID=5861384650140966768' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5861384650140966768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7663788225173773088/posts/default/5861384650140966768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observacoesdebordo.blogspot.com/2007/09/uma-atitude-de-coragem.html' title='UMA ATITUDE DE CORAGEM'/><author><name>Semanal de Bordo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03498878013125699113</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QeBETF3vbfk/Sr_rwy0MJ-I/AAAAAAAAAKU/mD6NtroXFr8/S220/IMG0002A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_QeBETF3vbfk/RuyKO1v4bOI/AAAAAAAAAAM/NXOpX2tYQws/s72-c/PHTO0037.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
